terça-feira, março 25, 2008

Como vamos escrever?



O novo acordo ortográfico foi ratificado, o que quer dizer que a maneira como escrevemos algumas palavras vai mudar. É um assunto sensível que divide opiniões, e há-as para todos os gostos, das fundamentadas às fundamentalistas. Vamos perder o p do óptimo, o c mudo do actual, o hífen no hei-de, só para dar alguns exemplos. Há quem ache que estas mudanças são essenciais de forma a não isolar o português de Portugal do português dos outros países lusófonos, quem ache que não, que o português de cada um desses países foi por caminhos evolutivos diferentes e que é contranatural forçá-los a coincidirem. Também há quem não queira mudar só porque não gosta de mudar, quem ache que o acordo é um atentado à língua como a conhecemos ou que a partir daqui vamos todos falar brasileiro.

O que é certo é que não é a primeira vez que mudamos (imagino o reboliço que foi quando farmácia deixou de se escrever com ph), e para nos falar do que vai realmente mudar, desfazer equívocos ou reiterar preocupações, e a propósito do lançamento pela Texto Editores dos primeiros dicionários conforme o Novo Acordo, teremos hoje connosco Paula Espinha, editora, e João Malaca Casteleiro, Linguista.

Dúvidas & opiniões via 800 25 33 33 e caixa de mensagens do blogue, a partir das 19, com Fernando Alvim e Cátia Simão.

68 comentários:

Angel disse...

Tirar o hífen de 'hei-de'??? Essa ñ conhecia... Ainda é pior do q pensava.. Eu pessoalmente, e cm prof de Português, acho mal - estamos a tornar a língua demasiado simplificada, já p ñ dizer abrasileirada... mas isso é com eles. Agora cm país de língua de origem deveríamos poder manter a nossa identidade, q tb passa pela língua.

Anónimo disse...

A língua faz parte da nossa cultura, parte da nossa identidade. E o faCto de termos desenvolvido de forma diferente dos povos irmãos devia ser reforçado. Não posso concordar com esta mudança e não simplesmente porque não gosto de mudar, mas acho que a nossa identidade deve ser mantida.
Não é também uma questão de orgulho.


Já agora uma pergunta: os números que em português de Portugal se escrevem dezasseis, dezassete, etc, vão ser escritos como no Brasil (dezesseis, dezessete)?

Cumprimentos da Holanda,
Maria

Maryana disse...

Os estudantes de hoje têm a vidinha facilitada é o que é. Agora nem essas palavras vão ter de traduzir quando fazem plágios dos trabalhos brasileiros na net...Não é justo!

De resto, acho bem essas alterações...E ainda fazia mais algumas. Eu gostava imenso de lançar o movimento do "ha-des cá vir" e do "ja fizestes?" É a filosofia do "se não os consegues vencer, junta-te a eles"...;)

Nuno SIlva disse...

Esta mudança acontece porque de entre os mais de 200 milhões de falantes do português nós só

O próprio brasileiro tem vários dialectos, qual será o adoptado no final de contas?

representamos 10%.

Claro que a força que o Brasil nos dias de hoje, nomeadamente a nível dos negócios, juntamente com o lobby das editoras brasileiras para entrar nos mercados africanos ajudados pelo Lula (que ao que parece nem tem curso superior) ajuda muito a empurrar-nos para um beco sem saída.

A origem das palavras ao que parece hoje em dia já não interessa para nada.

Se vamos passar a escrever as palavras tal como elas nos soam, então o "h" quase que deixa de existir:

elicótero (também eliminam o "p" não é verdade?)

Sendo assim, proponho que passemos todos a partir de agora a escrever o nome do nosso país como:

PORTUGAU
(sim, com "U", afinal é assim que se diz daquele lado do oceano, não me venham agora dizer que eles estão errados?)

Luis disse...

Acho muito bem que a nossa lingua se aproxime da lingua dos nossos irmãos brasileiros, porque tou farto de andar nas casas de strip e elas estarem sempre oi?oi?
o acordo ortografico vai nos "aproximar" mais.

psycologo disse...

Penso que os PALOP deveriam escrever o Português da Nação-Mãe. Se eles escrevem mal o Português, porque havemos nós de lhes facilitar a vida? risos
Penso que a evolução de uma língua na sua versão escrita faz-se de forma gradual, como tem acontecido desde o início da história do nosso país. Penso que forçar um grande número de mudanças não é o caminho.

psycologo disse...

Sou a favor da adopção das palavras prontos, hadem, etc.
Vai-se também permitir o registo de crianças com nomes próprios brasileiros? ex. anda cá, um dois três meia cinco! Vanderley luxemburgo! Estado Unido alascano! Nova jersey detroit da Silva? risos

X__Alien disse...

Qualquer tipo de mudança há-de provocar sempre algum tipo de estranheza, e a ortografia não é excepção.

Não vejo nada contra em aproximar o que é escrito ao que é falado. Já o inverso é que não pode acontecer. Falo claro no massificar da linguagem sms que faz muito boa gente já nem saber como se escrevem algumas palavras básicas.

Não sei se reparam mas estou a escrever esta mesma mensagem sem qualquer abreviatura? Não quero ser chamado de deturpador da língua portuguesa!

o_anonimo disse...

Há pessoas que não compreendem o significado de: "evolução".
Concordo aqui com o 'psycologo', há certas palavras que deveríamos adoptar. Experimentem passear em dias festivos na 'Imbicta' e levem um caderno para apontarem. É fantástico. Sou natural de Gaia (apesar de não viver lá), e é das coisas que mais tenho orgulho, é ouvir o sotaque a transformar as palavras, e então melhor ainda é quando há invenção de palavras...
Fenomenal mesmo.

Abraços

Anónimo disse...

Em resumo, segundo os comentários, os portugueses escrevem bem e os brasileiros escrevem mal; no Brasil há telenovelas, não há literatura, não há linguistas: eles simplesmente falam assim porque, coitados, são estúpidos.

Por outro lado, parece que a função das consoantes mudas e outras coisas afins é unicamente para que não se escreva como se fala, de modo a ser difícil escrever correctamente e assim não facilitar a vida aos preguiçosos.

Por uma questão de coerência, que tal uma petição para voltarmos a escrever «farmácia» com «ph»? «ele» com dois «l»?, devolver a alguns advérbios acabados em «mente» o acento grave?

Sobretudo é preciso não confundir a uniformização da grafia de algumas palavras com alterações à pronúncia ou à maneira de formular as frases. Ou seja, «fazer» escreve-se, e sempre se escreveu, da mesmíssima maneira aqui e no Brasil, mas nós dizemos «fazer» e eles dizem algo parecido com «fazê» - e nada vai mudar.

Continuaremos a escrever «eu estou a escrever este texto» e os brasileiros «eu estou escrevendo este texto». «Terno» e «fato» são palavras correctas tanto no Brasil como em Portugal, mas os brasileiros preferem «terno» e nós preferimos «fato», sem que o acordo ortográfico vá alterar um pintelho sequer a isso. Só por burrice se pode afirmar que passeremos a ser pressionados a falar e a escrever como os brasileiros.

De resto, acho piada pessoal que sempre deu erros ortográficos com fartura, que não tem pudor nenhum em substituir «não» por «ñ», «quero» por «kero», «acho» por «axo», de repente levantar um pé-de-vento porque o «p» de óptimo vai desaparecer.

Ricardo

Mme_Paulete disse...

Boa tarde, Menino Alvim!
Eis eu: a primeira vez que participo na Prova Oral, apesar de tentar ouvir sempre o fantástico programa! Farto-me de rir!... :)

Já agora, porque é que "separado" se escreve tudo junto e "tudo junto" se escreve separado?!

Em relação ao novo acordo ortográfico, concordo, pois é sinal de evolução! Talvez, daqui a umas dezenas de anos também se omitam os acentos das palavras...!
Temos de ser realistas: há uns anos atrás aconteceu o mesmo, houve pessoas contra... mas foi posto em prática na mesma!

Temos de ver a parte positiva: é mais fácil nós, portugueses, alterarmos algumas palavras pala o tal "abrasileirado" do que os brasileiros para o português... Isto, porque o nosso país tem percentagem de iletrados inferior ao Brasil. Já imaginaram o que era tentar alterar o modo de milhares das pessoas das favelas escreverem?! Ia ser uma tarefa extremamente morosa e muito complicada!... Em Portugal, estimam-se 6 anos para a tal adaptação... Lá, seriam 60 anos?!?!...

Ah, só um recadinho ao "Anónimo" Ricardo de cima... "Eu estou escrevendo" é o gerundio. É 100% português, sim usado no Brasil... e na ILHA DA MADEIRA muito muito frequentemente!

E tenho dito!!
Beijinhos da Madeira (Transval - Funchal)

Madame Paulete

Mme_Paulete disse...

Boa tarde, Menino Alvim!
Eis eu: a primeira vez que participo na Prova Oral, apesar de tentar ouvir sempre o fantástico programa! Farto-me de rir!... :)

Já agora, porque é que "separado" se escreve tudo junto e "tudo junto" se escreve separado?!

Em relação ao novo acordo ortográfico, concordo, pois é sinal de evolução! Talvez, daqui a umas dezenas de anos também se omitam os acentos das palavras...!
Temos de ser realistas: há uns anos atrás aconteceu o mesmo, houve pessoas contra... mas foi posto em prática na mesma!

Temos de ver a parte positiva: é mais fácil nós, portugueses, alterarmos algumas palavras pala o tal "abrasileirado" do que os brasileiros para o português... Isto, porque o nosso país tem percentagem de iletrados inferior ao Brasil. Já imaginaram o que era tentar alterar o modo de milhares das pessoas das favelas escreverem?! Ia ser uma tarefa extremamente morosa e muito complicada!... Em Portugal, estimam-se 6 anos para a tal adaptação... Lá, seriam 60 anos?!?!...

Ah, só um recadinho ao "Anónimo" Ricardo de cima... "Eu estou escrevendo" é o gerundio. É 100% português, sim usado no Brasil... e na ILHA DA MADEIRA muito muito frequentemente!

E tenho dito!!
Beijinhos da Madeira (Transval - Funchal)

Madame Paulete

Anónimo disse...

JÁ QUE HÁ TANTOS BRASILEIROS EM PORTUGAL, VAMOS COMEÇAR A FALAR COMO ELES...É ESSE O OBJECTIVO DO ACORDO!!!

Anónimo disse...

JÁ QUE HÁ TANTOS BRASILEIROS EM PORTUGAL, VAMOS COMEÇAR A FALAR COMO ELES...É ESSE O OBJECTIVO DO ACORDO!!!

Ivo Cunha disse...

E a palavra microorganismo? o corrector ortográfico do firefox não o conhece, como devo escrever?
Se poder ser respondam-me apenas dentro de minutos, para ter tempo de chegar ao carro e ouvir-vos.

obrigado

Anónimo disse...

Olá boa tarde.

Como na escola eu dava muitos erros, não me inporto nada com as alterações propostas, pois para mim o importante é as pessoas se entenderem, até a lingua devia ser universal como as letras da musica.
Boa tarde a todos.

tiago camponês disse...

como se vai escrever:
Haver com ou sem 'h'?
Vai ser 'desporto' ou 'esporte'?

Helena Sousa disse...

Então e o "h" da humidade?
que será da Humidade sem o seu "h", a palavra parece incompleta... fica nua!

Vitor disse...

Boa tarde!
Isto do acordo ortográfico parece-me uma enorme cedência política ao Brasil! O Português pertence a Portugal e aos portugueses e não mais ninguém! Gostava de saber se o Reino Unido também alterou a sua ortografia para a aproximar da dos USA só porque existem muito mais americanos que britânicos...
Abraço

Anónimo disse...

Referente às palavras que perdem o H ao início. Não irá causar confusão uma vez que as mesmas já estão incorporadas no nosso vocabulário mental com H.
Exemplo do húmido, que perde o h e passa para úmido.

Já agora como podemos agora saber que alterações vão decorrer.

E mais uma coisa será que é desda que o 'planejamento' passa para planeamento???

Cindy disse...

Até que enfim que decidiram por as letras W, K e Y no nosso alfabeto. Chamo-me Cindy e, tecnicamente, o meu nome tinha uma letra que não pertencia ao alfabeto. Quer dizer, há 18 anos atrás Portugal aceitou registar o meu nome mesmo não estando esta letra, teoricamente, no alfabeto. Esta questão já devia ter sido retificada há muito tempo.

De resto, concordo plenamente com o novo acordo. Ainda me lembro de estudar o Auto da Barca do Inferno no 9º ano e não perceber nada do lá estava escrito. Graças a Deus (ou a outra entidade qualquer) que a lingua evoluiu.

Cindy disse...

Até que enfim que decidiram por as letras W, K e Y no nosso alfabeto. Chamo-me Cindy e, tecnicamente, o meu nome tinha uma letra que não pertencia ao alfabeto. Quer dizer, há 18 anos atrás Portugal aceitou registar o meu nome mesmo não estando esta letra, teoricamente, no alfabeto. Esta questão já devia ter sido retificada há muito tempo.

De resto, concordo plenamente com o novo acordo. Ainda me lembro de estudar o Auto da Barca do Inferno no 9º ano e não perceber nada do lá estava escrito. Graças a Deus (ou a outra entidade qualquer) que a lingua evoluiu.

Cindy disse...

Até que enfim que decidiram por as letras W, K e Y no nosso alfabeto. Chamo-me Cindy e, tecnicamente, o meu nome tinha uma letra que não pertencia ao alfabeto. Quer dizer, há 18 anos atrás Portugal aceitou registar o meu nome mesmo não estando esta letra, teoricamente, no alfabeto. Esta questão já devia ter sido retificada há muito tempo.

De resto, concordo plenamente com o novo acordo. Ainda me lembro de estudar o Auto da Barca do Inferno no 9º ano e não perceber nada do lá estava escrito. Graças a Deus (ou a outra entidade qualquer) que a lingua evoluiu.

Rui Leite disse...

A mim ninguem me explica onde é que o calão entra no acordo ortografico!
so espero nao ter de começar a dizer palavrões a brazuca! Soa tão mal que eu acho que mais vale estar calado.
Fiquem bem

Márcio disse...

Boa tarde, se não é para dar erros, ó Alvim , não é tarde "solarenga", e sim "soalheira", com ou sem acordo ortográfico, e não, sou contra, ponto final...
Se tiver tempo já explico noutro comentário.
Márcio Guerra

Anónimo disse...

É triste, muito triste chegarmos ao ponto de nos ajoelharmos sempre que algum país um pouco maior que nós nos exige qualquer coisa. No que diz respeito a estas alterações aquilo que posso dizer é que é vergonhoso. Gostaria de saber se também vamos passar a dizer os disparates brasileiros também, tipo caminhão. Só mesmo quem não conhece o Brasil é que pensa que apenas com este acordo nos vamos entender. O pessoal fala diferente e nós queremos seguir o exemplo? Português de PORTUGAL SEMPRE.

Gomes disse...

Este acordo não faz sentido. As diferenças na leitura de textos português do brasil vão muito além das alteradas pelo acordo. Não é por aí que se vai entender melhor ou pior os textos. Por outro lado o "p" por exemplo na palavra adopção ou o "c" na palavra "acção" estão lá para que as vogais "ó" e "á" sejam vogais abertas. Sem elas um falante português deixará de dizer as palavras com a sonoridade habitual.
Isto não passa de uma questão politica, e curiosamente as cedências são quase todas nossas.

Anónimo disse...

Olá.Eu concordo com o acordo ortográfico, e se veio para simplificar a nossa escrita ainda melhor.Temos que evoluir... A minha pergunta é: qual vai ser a data oficial para o nosso acordo ortográfico?
Patrícia
Palmela

Anónimo disse...

Escrevo para pedir que esclarecessem qual foi exactamente o critério para a introdução das alterações. Se a questão se prende com a articulação ou não de algumas letras, porque se alterou a palavra facto, quando o C é perfeitamente pronunciado em Portugal? Por esta ordem de ideias, teríamos de alterar muitas outras em função de sotaques...e também: porque não se tira o U de louco, pouco...?

tiago camponês disse...

Será que 'facto' vai passar a 'fato'?

Anónimo disse...

Chamo-me Cláudio

Boa tarde

Ouvi a vossa colega dizer que devemos cada vez mais aproximar a lingua nos paises lusófonos. Concordo com isso.

O que pergunto é o seguinte: não deveriam ser os paises lusófonos a fazer essas alterações e não nós que temos a lingua, de alguma forma, de origem?

Eu sou contra essa mudança ainda para mais, sendo jornalista não vejo com muita facilidade esta adaptação. Estou a ver-me a publicar um artigo cheio de erros.

Além disso onde é que sabemos todas as alterações? 6 anos são de certeza muito pouco tempo para adaptação

É claro que quem vai beneficiar com isto vão ser as editoras.

Anónimo disse...

mais fácil escrever sem "p" ou "c",? Já leram em brasileiro? Parece-me que não...

Nuno Freitas... disse...

Acho incrível como este acordo foi assinado sem haver grande discussão na praça pública. Os média pelos vistos também não quiseram dar grande relevância a isso. Patriotismo não é abrir um noticiário a dar a triste notícia do Cristiano Ronaldo não ter ganho o prémio de melhor jogador do mundo. Patriotismo não é fazer manchetes com a frase “uma bandeira em cada varanda!” Patriotismo é sim, defender com a nossa garra Lusitana, tudo aquilo que nos define e nos distingue das outras nações.

Sou português, nasci num país de corrupção, analfabetismo e todas aquelas estatísticas negativas que vemos diariamente nos noticiários. No entanto foi o país onde cresci e aprendi a falar e a escrever. Nasci no país que descobriu meio Mundo e tornou a sua língua a quinta mais falada no planeta. Nasci num país com quase mil anos de história e com uma cultura vasta, rica e acima de tudo própria.

Até ao dia em que morrer vou escrever na língua do MEU país e estou-me completamente a borrifar para este acordo sem nexo e que desvirtualiza o verdadeiro patriotismo que deveríamos defender. Siga gastar dinheiro em milhares de manuais escolares, dicionários e gramáticas! É “ótimo” ser governado por incompetentes.

http://myblogisaflop.blogspot.com/

Nuno Freitas... disse...

Existe ou existiu algum movimento, entre os escritores ou entre os professores de português, para que seja alterado o nosso modo de escrever? Não! Andaram ou andam aflitos os agentes económicos portugueses, pela perda de mercados ou de negócio por causa da maneira como escrevemos a nossa língua? Não!

Da mesma maneira que há palavras escritas e ditas de modo diferente no Inglês falado na Inglaterra e nos EUA, acho ridículo que se desperdice tanta energia, tempo e dinheiro neste acordo ridículo. A evolução da Língua Portuguesa teria que ser algo natural, e não forçando as pessoas a mudar abruptamente.

Os nossos filhos apelidarão os professores, que lhes tirarem o telemóvel, de “cafajeste” em vez de “boi da areia” e certamente que surgirão piadas associadas ao português do passado: “Epah, na última vez que o teu Sporting ganhou um campeonato, batismo ainda levava p!”

Nuno Freitas... disse...

Existe ou existiu algum movimento, entre os escritores ou entre os professores de português, para que seja alterado o nosso modo de escrever? Não! Andaram ou andam aflitos os agentes económicos portugueses, pela perda de mercados ou de negócio por causa da maneira como escrevemos a nossa língua? Não!

Da mesma maneira que há palavras escritas e ditas de modo diferente no Inglês falado na Inglaterra e nos EUA, acho ridículo que se desperdice tanta energia, tempo e dinheiro neste acordo ridículo. A evolução da Língua Portuguesa teria que ser algo natural, e não forçando as pessoas a mudar abruptamente.

Os nossos filhos apelidarão os professores, que lhes tirarem o telemóvel, de “cafajeste” em vez de “boi da areia” e certamente que surgirão piadas associadas ao português do passado: “Epah, na última vez que o teu Sporting ganhou um campeonato, batismo ainda levava p!”

Tiago Pimentel disse...

O novo acordo ortográfico, tal como os anteriores são para mim a soma de cúmulos da perda da identidade nacional. Vão-se perder particularidades que tornam a nossa escrita tão sui generis e bela. Dizem que isto é uma tentativa de aproximar ao português do Brasil, mas em boa verdade faço uma vénia aos brasileiros por manterem alguma pureza em muitos termos, por exemplo o trema na letra U que vai indicar se depois da letra Q o U se lê ou não. P.ex. Freqüentemente e quente.

Anónimo disse...

Oi galera, tudo bem?

É isso aí, pessoal! Estamos escrevendo, desde já, com o novo acordo ortografico, né?

É muito bom, mesmo! Quero parabenizar as pessoas que tiveram a brilhante idéia de acertar este novo acordo ortografico, melhorando aquele feito em 1991, certo?

Assim, a lingua portuguesa brasileira, passará a estar muito mais prôxima dos paizes que falam esta mesma lingua.

Considero otima a ideia de acertar coisas inuteis como letras mudas, acentos, hifens, palavras e verbos compostos, pois tudo isso é uma droga, né?

Aí galera, vamos colocar o pessoal das favelas a falar o mesmo portugues que nos falamos, o portugues acadêmico, né?

Aqui fica o batismo da nova versão da lingua portuguesa!

Tchau, pessoal!

(ufff, é tão complicado falar brasileiro...)

Mário disse...

confesso que ando um pouco fora do assunto e por isso cada vez que me dizem alguma coisa sobre o tratado eu aceito como se fosse a maior verdade de todas...XD

quando me falam do tratado a primeira coisa que me dizem é que os h's vão desaparecer...parece que afinal não é assim tão radical. mas mantenho uma dúvida que é o exemplo que me dão sempre cada vez que se fala em tal coisa: hábito mantém o h ou torna-se em "ábiot"??

cumprimentos
Mário Sousa

Helena disse...

Já me disseram que tenho a mania das conspirações, mas esta tendência actual para a crescente uniformização é simplesmente assustadora.
Como tradutora e intérprete devo dizer que não concordo. As línguas são organismos vivos que vão alterando conforme a necessidade dos seus falantes. É um processo natural, porquê interferir?
Existe exactamente o mesmo problema com o inglês da Inglaterra e o inglês dos EUA, mas não vemos os ingleses a renderem-se às evidências...
É evidente que ao longo do tempo têm de ser feitos determinados ajustes, mas uma simplificação deste género pode mexer com a já tão frágil identidade portuguesa.
Pessoalmente este acordo atinge-me directamente e a todos os meus colegas de trabalho. Como tradutora, essencialmente de manuais técnicos, pouco poderei fazer para lutar contra a ferocidade da concorrência brazileira, que todos nós sabemos ser de qualidade bem inferior.

Cumprimentos,

Helena

David disse...

Qualquer dia teremos de nos adaptar (sem p "adatar" lol) e rever a nossa lingua para incluir o "x" em todo lado como vejo nas sms dos putos! "Xima", "Karo" etc sao a lingua moderna. Com acordo ou sem ele nao ha muita gente de fale correctamente (corretamente) acho que potugues europeu devia ser independente e seguido em vez de seguir pois 'e mais completo e complexo logo bonito! Abraco.

Anónimo disse...

color / colour são ambas em inglês e eu sei qual é a americana, e as sumidades sabem?

Gomes disse...

Os livros do Harry Poter têm uma tradução para Inglês Americano! E ambos os países não precisam de um acordo para se entenderem!

Anónimo disse...

Boa tarde a todos!
Ainda bem que abordam um tema que me indignou totalmente e que passou ao lado de grande parte dos portugueses. Sou professora de Língua Portuguesa e estou completamente intrigada em relação a este novo acordo, recuso-me determinantemente a escrever minissaia em vez de mini-saia! Se querem tornar a língua mais próxima da sua transcrição fonética por que é que não passamos a utilizar o código de comunicação dos adolescentes nas sms?Afinal quem é que descobriu o Brasil? Vamos passar a falar o brasileiro- português!

Teresa Oliveira

Anónimo disse...

Isto não é barsileirismo mas a letra Kapa não existe np Brasil mas sim O Ká

Anónimo disse...

Um Poema já com a nova escrita... Depois quem souber que explique o se conseguir entender.

Aqui fica a minha visão:

Para que esta mudança?
Ninguém para isto.
Para a esta mudança!
Ninguém para isto...
Para esta mudança...

E os filmes legendados vão para o lixo.


Um abraço,

f.

Daniel disse...

Eu estou completamente de desacordo com este acordo ortográfico, penso que isto nos retira AINDA mais identidade nacional, já agora propunha uma alteração do nome da lingua para brasileireis.
Relativamente ao retirar as letras mudas discordo especialmente, podemos não ler o "p" em optimo, mas a cadência da leitura muda e a há um ligeiro tom impresso ao "o" pelo facto de o "p" lá estar. Mais ainda, como explicamos aos nossos filhos que optimo não tem p e optimização tem?
Mais valia separar as linguas, eu preferia!

Cumprimentos

Daniel Moura

Anónimo disse...

The European Commission has just announced an agreement whereby
English will be the official language of the European Union rather
than German, which was the other possibility.

As part of the negotiations, the British Government conceded that
English spelling had some room for improvement and has accepted a 5-
year phase-in plan that would become known as 'Euro-English'.

In the first year, 's' will replace the soft 'c'. Sertainly, this will
make the sivil servants jump with joy. The hard 'c' will be dropped in
favour of 'k'. This should klear up konfusion, and keyboards kan have
one less letter There will be growing publik enthusiasm in the sekond
year when the troublesome 'ph' will be replaced with 'f'. This will
make words like fotograf 20% shorter.

In the 3rd year, publik akseptanse of the new spelling kan be expekted
to reach the stage where more komplikated changes are possible.

Governments will enkourage the removal of double letters which have
always ben a deterent to akurate speling.

Also, al wil agre that the horibl mes of the silent 'e' in the languag
is disgrasful and it should go away.

By the 4th yer people wil be reseptiv to steps such as
replasing 'th' with 'z' and 'w' with 'v'.

During ze fifz yer, ze unesesary 'o' kan be dropd from vords
kontaining 'ou' and after ziz fifz yer, ve vil hav a reil sensi bl
riten styl.

Zer vil be no mor trubl or difikultis and evrivun vil find it ezi tu
understand ech oza. Ze drem of a united urop vil finali kum tru.

Und efter ze fifz yer, ve vil al be speking German like zey vunted in
ze forst plas.
Vão ver! Um dia ainda acabamos assim!
Acho que não se devia mudar nada!
Pedro Luiz de Castro

Anónimo disse...

Eu pessoalmente, acho que tem muito a ver com a cedência ao Brasil, um exemplo é a palavra facto e fato. E não é verdade que as outras línguas não tenham ortografias diferentes, o Inglês Britânico e o Norte-Americano têm grafias diferentes em muitas palavras, por exemplo gray e grey (ambos querendo dizer cinzento). Mas há muitos mais exemplos no Oxford Advanced Learner's Dictionary.

Flacido Sulfúrico

Alexandra disse...

O k é utilizado em kg porque é a abreviatura utilizada no Sistema Internacional de Unidades. Nós utilizamo-la, tal como os Chineses ou os Coreanos.
Os "p" e os "c" que desaparecem têm uma função bem marcada: a de abrir a vogal que está antes: lê-se "bá(p)tizado" porque está lá o p, senão era "bâtizado", tal como "matizado"; "elé(c)tricidade" e não "êletricidade".
E sim, o Inglês de Inglaterra escreve-se de maneira diferente do Inglês da América e eles não se renderam só porque são menos.
Como já disseram: Português de Portugal para sempre!

Daniel disse...

Ainda vamos acabar uma provincia do estado de Espanha dos Estados Unidos da Europa onde se fala brasileireis, compra tudo chinês, e se tem manias americanas, e a unica lembrança do nosso Portugal vai ser a porcaria de vida que levamos, porque isso sim, nunca muda.

Deixem lá o português como está, e deixem-se de tretas...

Cumprimentos a todos

Daniel Moura

PS: Sobre isso que era importante para o nosso dia-a-dia não fizeram referêndo... arranjaram meia duzia de senhores que acham que valem por todos decidir. Se não gostam do português como está que se mudem de país. e viva o pt-PT

Daniel disse...

Alexandra disse...
Os "p" e os "c" que desaparecem têm uma função bem marcada: a de abrir a vogal que está antes


O senhores esqueceram-se que os brasilerios acentuam tudo, enquanto nós tendemos a acentuar só uma sílaba, as letras mudas criam um tom intermédio entre o tónico e o não tónico. Se calhar deviamos também falar como eles, ou isso será para daqui a uns anos se venderem mais uns dicionários?
Vámós cóméçár á fálár ássím...

Este acordo é uma palhaçada, o problema é que querem fazer de nós os palhaços...

Desafio-vos a procurarem foruns brasileiros na Internet, eles tanto escrevem como lêem que há threads inteiras onde não se encontra uma palavra correcta- que barbaridade.

Já agora os acentos agudos e graves como ficam?? se calhar aí havia razões para pegar, ou não...

abraço

lafonso_servicos disse...

Meu Deus, quanta celeuma!!! Os Portugueses estão a ficar de cérebro duro? A maioria dos nossos avós passou por TRÊS reformas da ortografia portuguesa, ou seja, o 'portuguesinho' agora escrito e que tantos temem pela sua saúde, só no séx. XX passou por 3 reformas ortográficas!!! Sim, isso ORTOGRÁFICAS e não da 'FALA' como muitos dizem! Sim, NÃO vamos falar de forma diferente nem igual a ninguém!!! É preciso fazer um desenho?!?! Antes de escreverem mais absurdos, se quiséssemos ser 'puristas', seríamos nós a voltar a escrever 'côr', 'flôr', 'idéia', 'européia'... e não os Brasileiros a deixarem de usar esses acentos, pois mantiveram-se ELES fiéis a como se escrevia português até 1945. NÓS é que mudámos/simplificámos. Ah, não sabiam?! Então conto-vos mais: tanto drama por eliminar 'c', 'p'... mas isso não é novidade, NÓS já o fizemos antes, em 1945, por exemplo, ou senão, estaríamos a escrever ainda hoje: 'práCtica', 'descriPto', 'funCção', 'assuMPto', 'proMPto', 'satisfaCção', 'auGmentar', asThma, etc.,etc., e ainda: 'êste', 'acêrto', 'dezóito', 'vôo', 'aldéia', 'flôr', 'combóio', etc., ou ainda os conhecidos pelos nossos avós 'pharmácia', 'symptoma'... e sem a culpa dos Brasileiros

Daniel disse...

Já agora porque não acabar com dicionários e regras e simplesmesnte escrever como se fala?

Esta merda du acuordo urtigráfico num tem assunto ninhum falabamos cada um à sua maneira i cada um escrebia cumu queria i éramus tuodos mais felizes.i qe ninguém me diga que ieu tenho ierros neste teisto, afinal estou a escreber como se fala na minha terra.

Já agora tanto se revê e ainda ninguém notou que transito foge à regra?? devia escrever-se tranzito, ora pensem como se lê um S depois de uma consoante...

Daniel disse...

carissimo lafonso_servicos, já que sabe tanto português devia saber que ei é um ditongo e por isso tem uma sonoridade única dispensando assim o acento em ideia, europeia, aldeia e semelhantes.
Uma coisa é mudar o escrito para o falado, outra é mudar o português para brasileirês.

Como alguém disse que "pouco" podia perder o U, mas no Porto "ou" não se lê "ô", e temos que ver que os regionalismos e sotaques devem ser respeitados, daí não se tirar o U.

Quando ao falado temos a palavra "facto" para provar, ou vamos escrever "fato" e ler "facto"?

Os sucessivos governos têm pressionado o ensino a manter a identidade da linguagem regional, para que os professores aceitem os regionalismos e sotaques e agora perdemos a identidade nacional... ora bolas!

Daniel disse...

Meus amigos, aqui está a resposta às nossas preces...

http://www.petitiononline.com/naoacord/

Mais de 10.000 assinaturas, o que significa que 10% dos Portugueses estão contra, não é?

Márcio Guerra disse...

Ó Alvim... Não acredites em tudo o que te dizem, e isto tanto vale para mim, como para os teus convidados... Gostaria que ele me desse o contacto de onde encontrar solarengo relativo a sol!
Tendo eu razão, gostaria de ver também ver o facto referido aí no programa, tanto mais que diversos linguístas, incluindo linguístas da Antena 3, RTP, e Antena 1, para além do programa "Cuidado com a língua" referiram precisamente o termo como o disse. Sou aluno superior de Design de Comunicação, e gosto pouco de erros, e sou muito contra o acordo ortográfico. Vale mais deixarem já os miúdos escrever x em vez de s!
P.s.- O dicionário da Priberam não reconhece a palavra. Se o erro for meu, as minhas desculpas.
P.s.2- No meu primeiro ano, em design, tive português, e nessa mesma aula a professora fez questão de me corrigir, e tentar coagir, no sentido de eu reconhecer duas palavras, que ela tinha como correctas, e que eu considero erradas "àqueloutro", que já nem é referido nos dicionários, e em que ela dizia que era a contração do "a" mais o "aquele" mais o "outro", ao invés de apenas "aqueloutro", em que ela dizia que havia palavras acentuadas noutras sílabas não sendo mais do que esdrúxulas, graves ou agudas, mas dessa professora guardo poucas recordações pois para ela "peão", de jogar xadrez era com "i" pois era um jogo, ao invés de ter "e" pois para ela não era um "peão" do Rei.
Boa sorte a todos.
P.s.3- Mas na língua portuguesa o facto de se dizer muitas vezes uma mentira esta passa a ser uma verdade...

Márcio Guerra

Anónimo disse...

EM PRIMEIRO LUGAR QUERIA DIZER QUE DETESTO TUDO QUANTO É BRASILEIRO, A MANEIRA NOJENTO E PRIMÁRIA, MENTALIDADE DA FAVELA... A BRASILEIRADA NÃO TEM NADA DE BOM, NADA QUE SE POSSA APROVEITAR... SÓ DE PENSAR QUE O MEU QUERIDO PAÍS ESTÁ ATAFULHADO DESTES ANIMAIS DA FAVELA, FICO DOENTE....
JAMAIS ESCREVEREI E FALAREI COMO ESSES INDIOS PORCOS TERCEIRO-MUNDISTAS FAVELADOS... NUNCA
AMAZÓNIA, VAI PASSAR A SER AMAZÔNIA, ELECTÔNICO, e por aí fora... NEM MORTO...
A CULPA TAMBÉM PASSA POR ESSA KORJA DE BROXISTAS TIPO ALBIN... E OUTROS QUE QUANDO VÊEM UM FILHO DA PUTA ESPANHOL OU BRASILEIRO PÕEM-SE LOGO DE CÓCORA....
KAMBADA DE FILHOS DAS PUTAS BROXISTAS PANASCRÓIDES.... SOIS VÓS QUE ENVENENAIS ESTE PAÍS....

Anónimo disse...

Estava a caminho de casa e só ouvi a pare final do programa, mas tinha que comentar.
Houve uma ouvinte a Clara que falou acerca da fonética das palavras e eu não podia concordar mais com ela com as comparações que fez à língua inglesa.
E eu tenho outra comparação:
Os ingleses continuam a dizer colour e centre e os americanos color e center, e os ingleses não mudam, só porque os americanos são mais do que os ingleses !!!!!!!!

S.A. disse...

Quanto a mudanças, que delas venha tudo o que for para melhor (ou, pelo menos, o mal menor). Acontece que não sei bem o que hei-de pensar deste acordo. Que diabos, quando a coisa passar a vias de facto, provavelmente, nem saberei o que hei-de escrever acerca do assunto. Provavelmente, já cometi alguns erros de escrita nestas poucas palavras. Sim, porque agora vou aprender que o que antes aprendi como certo no futuro passará a ser errado. Estou certo de que haverá vantagens (quero ter esperanças de que sim) com a uniformização da língua, mas se a intenção é, digamos, unificar o Português, então que o reaprendam aqueles que o alteraram. Por que razão tem de ser a Língua Mãe a mudar? Acho que é uma pergunta válida. Não estou contra, nem a favor, entenda-se. Essa opinião surgirá após os efeitos das alterações previstas. No entanto, confesso que estou "à nora" no que respeita a uma palavra muito simples e amplamente reconhecida pelo seu significado imediato. A dúvida que me fica é esta:
Será que vamos deixar de poder dizer que Homem se escreve com H grande?

Vanoicas disse...

Alvim,
e sabes porque farmácia antigamente se escrevia com PH?!
porque hoje se escreve com H....

:P hehehe brincadeirinha...

beijinhos

Anónimo disse...

Pessoal, vi este texto num sítio brasileiro:


Contra reforma ortográfica

Guga Schultze

Fonte: Digestivo Cultural



Proponho uma nova reforma ortográfica. Não essa nova, mas uma mais nova ainda. É uma coisa sobre a qual tenho pensado desde sempre, através do meu longo processo de alfabetização; desde quando fui repreendido por um trema ausente, numa palavra cheia de ubiqüidade, numa redação que fiz na escola fundamental.



O fato da redação ter sido legal, com um bom texto e idéias bem desenvolvidas, além de ser um texto muito poético, passou despercebido. A ausência do trema, essa, não passou.


Pressenti ali mesmo que teria que lidar, para sempre, com essa gente que lê um texto procurando tremas ausentes e crases indevidas. Sujeitos sistemáticos, de óculos, muito limpinhos e organizados. Mulheres, idem, as sombrancelhas arqueadas e uma insatisfação vital que se exprime no controle compulsivo das minúcias.



Essa gente, corroborando minha profecia infantil, existe em toda parte e é a pedra no caminho de todo escritor relaxado, que acredita ainda que o sabor de um texto não passa pelo crivo burocrático dessas pobres almas insones.



Citei meu processo de alfabetização como sendo longo porque ainda não terminei esse processo, é bom que se diga. Não domino minha língua e, pior, não acredito que alguém tenha o domínio perfeito da língua portuguesa. Nem os que escrevem essas Introduções à Gramática da Língua Portuguesa. São livros que pesam um quilo ou mais cada um e que servem apenas para corroborar minhas suspeitas. Uma gramática não devia pesar tanto.



Tenho alguns trunfos, é verdade. Possuo, por exemplo, a intuição da crase. Posso me gabar disso. É algo que você tem que nascer já possuindo, ou então vai demorar alguns meros quarenta anos para dominar esse assunto razoavelmente. Se você estuda francês, então, meu amigo, ande com um manual debaixo do braço. Porque o francês adora crases e tenho minhas dúvidas se não foi por pura inveja, por pura tentativa de emular uma pretensa sofisticação da língua francesa que a crase se estabeleceu por aqui.



A crase, aquele sinalzinho do contra, que se coloca acima de uma vogal inocente, indicando algo acima e à esquerda, algo que na verdade não existe no ato de falar, aponta sempre, infalivelmente, para nossa incapacidade pessoal de decorar aquelas regras arbitrárias que seu uso exige e provoca, a contragosto, uma exasperação íntima. (Notaram o domínio da crase? Hein?)



Existem centenas de exemplos de mau funcionamento da língua, de coisas que não podem ser ditas, ainda que você queira muito dizê-las, em português. Flexões do verbo haver, aliterações que se tornam indesejáveis, cacofonias que precisam ser evitadas. Não tenho mesmo uma alma burocrática e não vou fazer a lista aqui. Mas penso em contribuir para as futuras gerações de brasileiros e brasileiras, cujo destino parece que vai ser, como tem acontecido, o de lutar surdamente com sua própria língua, sob os olhos severos dos burocratas guardiões, caso ninguém tome alguma providência.



Apresento aqui uma reforma ortográfica. Simples, sucinta e que qualquer um pode entender. Crases: crau nocês; tremas: tremei; acentos: levantai-vos e sumi; aurélios: tomai na orelha; Houaiss, nada mais simples, uai. Vamos lá:



1. Das vogais

De agora em diante serão oito (8) vogais, a saber:



A - Â - E - Ê - I - O - Ô - U.



Fim de papo. Essas vogais são auto-explicativas. Seria bom criar um símbolo para as vogais A, E e O, quando fechadas. Mas fica pra mais tarde. Deve ser algo simples de fazer. Se não passar pelos grupos normativos de gramáticos e lingüistas, será uma coisa simples. Caso contrário, só deus sabe o que vai sair.



Estou colocando provisoriamente o acento circunflexo sobre as vogais com o som fechado para diferenciá-las das que tem o som aberto. Mas nem me passa pela cabeça instituir o acento diferencial. Estou propondo uma nova vogal para o Ã, por exemplo. Simplesmente porque o Á é uma coisa e o à é outra, o Ó é uma coisa e o Ô é outra.



Só porque os baianos falam “bãnãna” e “córação” não quer dizer que essas sejam as mesmas vogais que as outras civilizações brasileiras utilizam. Fala-se “mámão” e “mãmão” por aí. Mas nem mesmo um baiano fala “mámãe”. Então são duas vogais para a letra A, duas para a letra E, duas para a letra O. É melhor deslindar esse negócio, meu rei.



2. Das consoantes

Vão ser as mesmas, só o Q vai embora. Pqp, que quiprocó! Mas ele se torna desnecessário e todas as consoantes terão funções restritas, bem definidas, a saber:



Todos os sons sibilantes terão, como seu representante, a letra S. Adeus ao Ç, SS, SC. E ao C e X, quando for o caso. Exemplos:



Deso as escadas (e não desço as escadas).



Nesesidade (e não necessidade).



Acresentar (e não acrescentar).



Eselente (e não excelente).



Livre como um tacsi (e não livre como um táxi. A frase é do Millôr).



Quando a pronúncia for Z, usar o Z, é claro. Exemplos:



Por ezemplo, uze o Z aci. Ezatamente nesa poZisao.



No exemplo acima, demonstra-se também o uso do C. Em tudo que tem som de K, o C será usado. Adeus ao Q e ao QU. Exemplo:



Acilo (e não aquilo).



Cuando (e não quando).



Fi-lo porce ci-lo, dise uma ves o prezidente Janio Cuadros.



X substitui CH, sempre. Exemplos:



Xuva (e não chuva).



Ese testo e muito xato (e não chato).



A Xuxa já está certinha! E os cariocas poderão grafar: Doix maix doix é iguau a sinco. Maix ce legau. Taí, goxtei.



L no final das palavras, vira U. Lógico:



Legau. Animau. Transendentau.



G apenas para o som gutural: gago, gato, gordo e Guga. Não será necessário essa bobagem de G e U juntos: Algem dise ce ningem e santo.



O resto é J:



Ajir (e não agir), jema (e não gema), jerensia (e não gerência).



Pensei em substituir os R guturais (quando iguais a “rr”) e os próprios RR por H. Só porque gosto dessa letra e não queria ver o H de fora, na hora h. Assim:



Ahastah (e não arrastar). Ahumadeira (e não arrumadeira). Ahsebispo (e não arcebispo).



A geha do Irace foi uma geha de arace.



O R fica só pro som rápido de ponta de língua:



O Pereira sofre de piriri cronico cuando pensa em perereca.



Ok? O H é um problema, só por causa do presente do indicativo do verbo HAVER: há. Eu proponho, nesse caso, dobrar o a:



Aa mais coizas sobre o vehbo aveh do ce supoe a nosa va filozofia.



Mas o H está banido do começo de palavras como hoje, homem etc. Assim: Ja fui um politico, oje sou um omem onesto.



A letra H é meio arbitrária demais, apesar de ser uma letra bonita. Enfeita as palavras, mas entra muda e sai calada. Os homossexuais virarão omosecsuais e perderão a impressão de serem cientificamente aceitos pelos eterosecsuais. Que pensarão duas vezes na hora H (que passa a ser a ora O), antes de abrir os precedentes e aderir a um nome tão feioso.



LH e NH viram LL e NN, respectivamente. Exemplos:



Vella (e não velha), amanna (e não amanhã).



Porque quando se pronuncia LH ou NH, você simplesmente dobra os “Ls” e “Ns”. O H não tem nada a ver com isso. Entrou inexplicavelmente nessa história. Qualquer criança irá perceber que um L dobrado é mais verdadeiro que o LH. E, como o Kiko do Chaves, dirão para os seus Madrugas da gramática: Jentalla, Jentalla!



Todos os acentos serão enxotados como pássaros e voarão para Portugal e outras latitudes portuguesas, pousando nas velhas palavras, se ainda forem necessários por lá. Gramáticos e lingüistas em pânico protestarão nas ruas contra a perda das raízes e dos radicais. Mas eles próprios são muito radicais nessa busca insana das raízes ocultas das palavras. Cultivem mandiocas e serão mais felizes. Minha sugestão é que formem uma sociedade secreta cujo objetivo é perpetuar os segredos da morfologia, de forma que quando for pronunciada a palavra “Ibirapuera”, por exemplo, os iniciados, e apenas eles, saberão que trata-se de uma palavra indígena ou paulista, e não latina ou árabe. Isso dará a eles um sentimento de superioridade que compensará, acredito, o fato incômodo de que ninguém dá a mínima pra origem das palavras. Pelo menos numa conversa sobre assuntos muito mais interessantes.



É evidente que minha reforma ortográfica está apenas sendo esboçada aqui. Mas eu posso garantir que o livro oficial dessa reforma não terá mais que quarenta páginas. Posso garantir que a alfabetização será mais rápida e que os alunos do ensino fundamental terão muito mais segurança no uso de sua língua pátria. Essa reforma ortográfica é fácil, muito mais lógica e, uma vez compreendida, é algo inescesiveu.



Só de ser possível escrever como se fala, já ajuda bastante. Ou não? Também é legal para evitar excessos de xenofobia e fica simples absorver algumas palavras urgentes de outros idiomas, para incorporá-las (por quê não?) ao nosso. Olha só: Heclamasoes: cahtas para a hedasao, pliz.



Guga Schultze

Belo Horizonte, 10/9/2008

Legal, né?
Postei proceis...

Aqui nóis fala inda: Dantoncis, Inté, Voismê, Intezisquis...

Anónimo disse...

Pessoal,

Por curiosidade, vejam o dialeto que é falado em Minas Gerais/Brasil


http://desciclo.pedia.ws/wiki/Mineirês

É muito engraçado!

Abraços e beijos!

Anónimo disse...

Pessoal,


Mais de mineirês:

"14 Agosto 2006
Mineirês

Ouvi dizerem que o sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar das mineiras ficou de fora?

Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor. Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.

Mas, se o sotaque desarma, as expressões são capítulos à parte. Não vou exagerar, dizendo que a gente não se entende... Mas que é algo delicioso descobrir, aos poucos, as expressões daqui, ah isso é...

Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: "pó parar". Não dizem: onde eu estou? dizem: "ôncôtô?"). Parece que as palavras, para os mineiros, são como aqueles chatos que pedem carona. Quando você percebe a roubada, prefere deixá-los no caminho.

Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem - lingüisticamente falando - apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não.

Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é "bom de serviço". Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro - metaforicamente falando, claro – ele é bom de serviço. Faz sentido...

Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: "cê tá boa?" Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela está boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário.

Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: - Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).

O verbo "mexer", para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.

Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você "não dá conta". Siôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:

- Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.

Esse "aqui" é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem "apaixonado por". Dizem, sabe-se lá por que, "apaixonado com". Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: "Ah, eu apaixonei com ele...". Ou: "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas COM alguma coisa.

Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: "E aí, vão?". Traduzo: "E aí, vamos?". Não caia na besteira de esperar um "vamos" completo de uma mineira. Não ouvirá nunca.

Na verdade, o mineiro é o baiano lingüístico. A preguiça chegou aqui e armou rede. O mineiro não pronuncia uma palavra completa nem com uma arma apontada para a cabeça.

Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, o mineirês. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas. Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: - Eu preciso de ir.

Onde os mineiros arrumaram esse "de", aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam... Você não precisa ir, você "precisa de ir". Você não precisa viajar, você "precisa de viajar". Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará: - Ah, mãe, eu preciso de ir?

No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra "um tanto de coisa". O supermercado não estará lotado, ele terá "um tanto de gente". Se a fila do caixa não anda, é porque está "agarrando lá na frente". Entendeu? Deus, tenho que explicar tudo. Não vou ficar procurando sinônimo, que diabo. E não digo mais nada, leitor, você está agarrando meu texto. Agarrar é agarrar, ora! Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: "- Ai, gente, que dó".

É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras. Eu aviso que vá se apaixonar na China, que lá está sobrando gente. E não vem caçar confusão pro meu lado.

Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro "caça confusão". Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele "vive caçando confusão".

Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom (acho que dá na mesma), ela, se for jovem, vai gritar: "Ôu, é sem noção". Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do tanto de bom que é. Só não esqueça, por favor, o "Ôu" no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?

Ouço a leitora chiar: "- Capaz..." Vocês já ouviram esse "capaz"? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer "tá fácil que eu faça isso", com algumas toneladas de ironia. Gente, ando um péssimo tradutor. Se você propõe a sua namorada um sexo a três (com as amigas dela), provavelmente ouvirá um "capaz..." como resposta. Se, em vingança contra a recusa, você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: "ô dó dôcê". Entendeu agora?

Não? Deixa para lá. É parecido com o "nem...". Já ouviu o "nem..."? Completo ele fica: "- Ah, neeeeem..."

O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: "Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?". Resposta: "neeeem..." Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?

A propósito, um mineiro não pergunta: "você não vai?". A pergunta, mineiramente falando, seria: "cê não anima de ir"? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. "É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem..."

Ei, leitor, pára de babar. Que coisa feia. Olha o teclado todo molhado. Vai dar curto circuito! Chega, não conto mais nada. Está bem, está bem, mas se comporte.

Falando em "ei...". As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o "ei" no lugar do "oi". Você liga, e elas atendem lindamente: "eiiii!!!", com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade...

Tem tantos outros... O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.

Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar: - Ah, fui lá comprar umas coisas... "- Que' s coisa?" - ela retrucará.

Acreditam? O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.

Ouvi de uma menina culta um "pelas metade", no lugar de "pela metade". E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará: - Ele pôs a culpa "ni mim".

A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas... Ontem, uma senhora docemente me consolou: "preocupa não, bobo!". E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: "não se preocupe", ou algo assim. A fórmula mineira é sintética e diz tudo.

Até o tchau. em Minas. é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: "tchau pro cê", "tchau pro cês". É útil deixar claro o destinatário do tchau. O tchau, meu filho, é prôcê, não é pra outro, 'tendeu?

(Recebi este texto, escrito por um paulista, por e-mail, e adaptei "um tiquim" pra por aqui no blog.)"


Por curiosidade, porcurem dialeto "mineirês" na internet...

O antepeúltimo Presidente Brasileiro, Itamar Franco, falava mineirês...


Abraços e beijos...

Anónimo disse...

Mais dialetos:

“Çovê base lafar guilagem camaco?” A conversa normalmente começa assim. O que se segue é um grande ponto de interrogação estampado na cara ou uma resposta rápida: “Mis, lafo medais”.

Não tem muito segredo. O truque é simples: troque a primeira letra da segunda sílaba com a da primeira. Assim, sílaba vira lísaba e palavra riva laprava. Gepou o cariocínio?

Zera a denla que o camaco surgiu de uma resistência tulcural. Assim como a música, o modo de se vestir e de agir, a língua é muitas vezes apropriada como uma forma de resistência, de marcação de uma identidade. Como já foi dito aqui no Overmundo, língua é identidade. Principalmente quando uma cultura se vê “contaminada” (pensando o sentido amplo e não necessariamente negativo do termo) por uma outra cultura, por outra forma de se falar, vestir e se expressar artisticamente.

Em um contexto como esse surgiu o camaco. Explico: a cidade mineira de Itabira já no fim do século XIX e início do século XX possuía habitantes estrangeiros e falantes da língua inglesa. Num primeiro momento, esses habitantes estavam ligados à empresa britânica Iron British Company, a qual explorava minério de ferro na região. Décadas mais tarde, com a fundação da Companhia Vale do Rio Doce, o contingente de estrangeiros foi reforçado pelos engenheiros e técnicos americanos que chegaram à pequena cidade. Logo se estabeleceu uma dificuldade de comunicação entre os ingleses e americanos e o resto da cidade.

Mas a maior diferença mesmo foi sentida nas minas de exploração: os operários da CVRD, com origem nas classes mais pobres da população, os chamados “peões”, sentiam essa incomunicabilidade no dia-a-dia. Era clara a impossibilidade de comunicação entre eles e os técnicos e burocratas estrangeiros. Como se sabe, à época, o inglês não era uma língua muito falada e conhecida (as pessoas com um nível de educação mais elevado falavam o francês), então era mais do que compreensível que os itabiranos não soubessem o inglês, e nem os estrangeiros falassem português. Além da dificuldade natural na relação entre nativos e estrangeiros, a pesquisadora Maria Cecília de Souza Minayo aponta no seu livro, “Os Homens de Ferro – Estudo sobre os trabalhadores da Vale do Rio Doce em Itabira”, para a incompreensão entre os trabalhadores de diferentes posições hierárquicas dentro da empresa. Ou seja, mesmo que o engenheiro e o peão falassem a mesma língua, o português, muitas vezes eles não se entendiam.

Como os operários não entendiam o inglês e nem se identificavam com outros itabiranos em cargos superiores, resolveram criar uma variação do português que tornaria impossível a compreensão dos seus chefes estrangeiros e dos seus compatriotas. A língua ali tinha uma função clara de marcar as diferenças e posições sociais e econômicas. Quem tinha a “malandragem” do camaco conseguia se comunicar com seus pares sem que outros os entendessem. Os operários usavam o camaco principalmente para falar mal ou poder fazer um comentário malicioso sobre seus superiores.

Com o tempo a língua deixou de pertencer a um grupo restrito e foi sendo apropriada por todos que se sentiam parte da “resistência” da cidade. Durante a década de 60 e 70, os boêmios e intelectuais de Itabira tinham como ponto de encontro o bar Cinédia. E era lá onde podiam manter longas conversas em camaco e passá-lo adiante para as novas gerações. Nesse momento a língua já tinha perdido a sua ligação restrita com os operários da empresa, passando a ser uma característica do povo itabirano em geral. O camaco perdeu aí seu sentido estritamente "político". Começou a ser utilizado, por exemplo, entre os jovens para conversar sobre garotas e namoros na frente dos pais, lembrando que naquela época esse ainda era um tema complicado numa mesa de jantar em família.

Embora a minha iniciação no camaco tenha sido durante os anos de colégio, o meu primeiro contato com essa história aconteceu em algumas animadas festas de família, nas quais meus tios praticamente começavam a se comunicar só por meio do camaco, depois de uma pinga ou de outra. Aliás, há algumas correntes de estudo que afirmam que o camaco é muito mais fluente quando o nível alcoólico está mais elevado. A pronúncia fica mais, digamos, original.

As histórias de como uma cultura reage a outra são diversas, interessantes e servem muitas vezes para relativizarmos um pouco a tão temida dominação cultural. Não nego: sou daqueles otimistas que acreditam que sempre há alguma forma de resistência frente a essa tal dominação. Outro exemplo da resistência expressada por meio da linguagem e outras marcas culturais é o caso do quilombo de Cafundó, onde uma comunidade de ex-escravos ainda preserva sua língua original, mesmo em contato com o português.

Escrever o camaco.

É muito difícil. Para melhor entendimento, é necessário escrever como se pronuncia, fazer a adequação sonora (eufonia) da palavra. Por isso o meu “você” no início do texto ganhou uma cedilha e virou “çovê”. Mas foi só para facilitar para çovês, pois os teveranos no camaco teriam escrito na forma original mesmo.

Praticamente não há registro escrito da língua. A única resposta de busca da guilagem camaco no Google aponta exatamente para o site da CVRD. Por isso estou dando a minha contribuição para a humanidade e, além de escrever esse texto, acabei de editar o verbete “Itabira” na Wikipedia e adicionarei um breve histórico do camaco. Como tudo que se preza nesse mundo, é claro que há uma comunidade no orkut sobre o assunto. Lá você pode pedir ajuda, tirar algumas dúvidas e colocar o seu camaco em prática com os outros participantes.

Assim como qualquer linguagem, o camaco foi sofrendo várias alterações e adaptações durante o tempo, ainda mais por ser uma linguagem unicamente oral. Algumas lapavras não parecem possuir uma ligação direta com a forma original. Como falar “não” em camaco? Em algum momento da história o “não” foi adaptado para “ônis”, "aqui" virou "ariq", "ele" foi transformado em "lêdi". E não adianta perguntar, ninguém vai saber explicar direito como surgiu. As razões desse tipo de licença poética já se perderam no tempo. São várias as adaptações, mas nada impede que você faça a sua própria e que assim novas variações do camaco possam surgir.

Aliás, essa é uma característica fundamental da língua: o importante é como as palavras soam e se são compreendidas por quem escuta, sem se importar muito se está certo ou se está errado. A tishória iof toncada, aroga gerpunto vonamente: base lafar a guilagem camaco?


Beijos e abraços...

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

Falar como os brasileiros??? Cruz credo...