quinta-feira, abril 12, 2007

Sexta-feira 13


Um thriller indiano

Arredei a secretária para um canto porque estou com o pressentimento de que é hoje que o candeeiro do tecto vai cair - e ainda que não me caia em cima, veremos se conseguirei escrever este post até ao fim, uma vez que o computador anda há que tempos a preambular avarias (neste momento bato na madeira, três vezes, não vá o diabo tecê-las - logo o diabo que é um tecelão e pêras, sempre a fazer-nos casaquinhos incómodos). Proibi também o gato preto cá da casa (chama-se Engenheiro) de se cruzar comigo, mas o engraçadinho volta e meia aparece à entrada do escritório com um sorriso sarcástico estampado nos bigodes, ameaçando avançar; eu, de dedo em riste, advirto-o, «Engenheiro!, não!», enquanto ele se finge distraído: «Engenheiro!, quieto!» - e só pára mesmo mesmo quando lhe ameaço cortes radicais na ração (raios partam os gatos, devia era ter dado ouvidos à minha avó, que sempre me aconselhou um cágado ou um canário; mas qual quê, um tipo arma-se em rebelde e mete-se em azares).

É sexta-feira dia treze, sim senhor, e vamos falar de superstições. Estará connosco um senhor bruxo, Francisco Guerreiro, autor de «Os dias de um Bruxo» e «Orações e rituais para todos os problemas» (e aproveitem as consultas on-line «após transferência bancária, cheque ou vale postal no valor de 40€. Após boa cobrança, a consulta dura cerca de 1 hora»); igualmente em estúdio, a Dra. Maria Luísa Albuquerque, que é parapsicóloga; e, ao telefone, alguém que dispensa apresentações: o Professor Herrero, mágico, hipnotizador, faquir, estudioso (de parapsicologia cientifica), autor de livros como A Masoquista, que relata um caso real de uma paciente que tinha sido violada em criança e que, submetendo-se à hipnose durante um ano, regredindo várias vezes à infância, libertou-se das «correntes» que durante mais de vinte anos a isolaram; Os mortos não falam, que «escalpeliza» as curas espirituais e paranormais, exorcismos, lutas contra o diabo, o mistério de uma pedra da localidade de Lagoa, os fenómenos da parte oculta da mulher, etc.; Um cagalhão na tola, livro, segundo as palavras do autor, «social, que sugere a mudança para uma nova consciência» (a capa, que mostra o Professor Herrero com o dito cujo na cabeça, significa «pôr aquilo que consideramos lixo mental, fora do nosso cérebro, por analogia, com o que está a mais na massa cinzenta»). Além de todas estas actividades, de realçar a sua faceta de organizador do famoso «Jantar dos 13», cujos propósitos (bem como o sugestivo menu) podem ser apreciados aqui.


Quanto a vocês, para lá das perguntas que queiram fazer aos nossos convidados, contem-nos das vossas superstições, se há alguma coisa que absolutamente evitam num dia como o de hoje, se costumam ir à bruxa, se acreditam em fantasmas, espíritos, retomas económicas e democracia no Iraque.

Podem usar o 800 25 33 33, se a linha não cair, e a caixa de comentários do blogue, se o blogger não estiver em baixo para manutenção. Mas nem que chovam picaretas ou martelos pneumáticos, estarão cá, a partir das 19, o Fernando Alvim e a Rita Amado. E agora vou-me - a água ferve e a chaleira apita -, preparar uma infusão de Pau de Cabinda.

E por falar em coisas enguiçadas, segunda-feira o assunto será TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário). Isto, se pudermos vir na segunda-feira, que o fim de semana é longo e nunca se sabe.

Até que a voz me doa


As vozes dos Simpsons

Atenção, muita atenção, barítonos de chuveiro, contraltos de cozinha, sopranos de venda ambulante, tenores de fila de trânsito, baixos de engate, enfim: coristas da ópera da vida (bonita tirada), este é um programa para todos vós - antecipando o Dia Mundial da Voz, que será a 26 de Abril, vamos hoje falar dela com o Prof. Mário Andrea, reconhecidíssimo especialista na matéria.

Estaremos devidamente sensibilizados para a importância de cuidar da voz ao longo da vida?; quais os problemas mais comuns que levam uma pessoa a procurar um especialista da fala?; quais os erros quotidianos mais frequentes que podem, ao fim de uns anos, pôr em causa a saúde do nosso alegre linguajar?; que cuidados especiais devem ter os profissionais da voz, como cantores, locutores de rádio, taxistas e don Juan's?; que conselhos dá para uma voz ao estilo da do Tom Waits?

É falar, é falar - via 800 25 33 33 - ou escrever na caixa de comentários do blogue, que a gente falará por vocês, a partir das 19, com Fernando Alvim e Xana Alves.

Amanhã será sexta-feira dia 13 e vamos falar de superstições.

quarta-feira, abril 11, 2007

Manequins, Agências & Companhia



As temperaturas parecem enfim fazer justiça à Primavera, depois de termos andado estas semaninha a «rapar um frio do caraças», como diria o meu vizinho mecânico de motorizadas (não é bem «caraças» a expressão que ele usa, mas agora não me lembro exactamente qual é) - está pois na hora de dar descanso aos casacos, abrir o guarda-fatos e exclamar, enquanto se olha para os quarenta pares de calças e cento e as vinte e cinco t-shirts: «não tenho nada para vestir».

Por isso, vamos hoje falar de roupinhas; quer dizer, nem é bem de roupinhas, mas de moda, de uma maneira mais abrangente; ou por outra, falaremos de «Manequins, Agências & Companhia», livro editado pela Campo das Letras), cuja autora, Alexandra Macedo, estará hoje connosco.

Sobre o livro: «O principal objectivo deste livro é o de servir de orientação para quem agora pretende iniciar a sua carreira no mundo da moda. É de facto muito importante que os jovens saibam bem aquilo que, para além do sonho que muitas vezes ingenuamente acalentam, constitui a realidade de um mundo que, como todos os outros, tem inúmeros encantos mas também dificuldades específicas. Também por isso pretendo deixar aqui o meu testemunho da experiência que vivi neste meio. Parece-me muito importante descrever, ainda que brevemente, a evolução que a moda em geral viveu em Portugal, evolução a que eu assisti e em que, sobretudo, tive o privilégio de participar. De facto, acompanhei todo esse processo de crescimento, não como espectadora, mas com uma participação real e activa.»

Via 800 25 33 33 ou caixa de comentários do blogue para tudo o que deve saber para iniciar uma carreira no mundo da Moda e Publicidade em Portugal; as mulheres e os homens que mais se destacaram; as histórias dos profissionais que determinaram a evolução desta área; as situações divertidas vividas na primeira pessoa e por aí adiante.

A partir das 19. Hoje, imaginem, com Fernando Alvim e Sílvia Batista.

Amanhã, programa dedicado ao prodígio da voz, com o Professor Mário Andrea.

terça-feira, abril 10, 2007

Rui Reininho liricamente na Prova Oral



Após várias décadas de militância na GNR, Rui Reininho volta à carga (salvo seja), com dois livros. Um, chama-se «Sífilis Vesus Bílitis» e é a reedição pelas Quasi do seu único livro de poemas, editado há mais de vinte anos pela &Etc.. O outro, «Líricas Come On & Anas» (edição Palavra), reúne o melhor da obra de Rui Reininho dando igualmente a conhecer a sua biografia através de uma diversificada reprodução de fotografias e recortes de imprensa, ao jeito de colagem pop. Numa homenagem aos seus vinte cinco anos de carreira, Líricas Come On & Anas faz chegar ao grande público a emblemática poesia do vocalista da banda que ficará para a história - os GNR (este livro será apresentado por Alexandre Melo dia 11 de Abril, pelas 19h, na Casa Fernando Pessoa, por isso ainda vão a tempo).

Vamos falar destes livros, sobretudo do «Líricas Come On & Anas», e saber se há mais na manga; quer dizer: sendo evidente a veia lírica das letras das canções dos GNR, a qualidade geral da escrita, creio que muita gente esperou que Rui Reininho se aventurasse mais pelos caminhos da escrita: para quando um livro de poemas inéditos, ou de contos, ou um romance ou um ensaio ou o que quer que seja?; passará pelos planos do nosso convidado, agora que chegou aos cinquenta aninhos de existência (não parece, mas é verdade), trocar os holofotes de palco pelo candeeiro da secretária? - ou, antes pelo contrário, sente que há muito por fazer ainda nos GNR?; e que música ouve mais hoje em dia?; e o que lê (dicas para nos aguçar a curiosidade por novas leituras são sempre bem vindas)?

A partir das 19, perguntem e comentem - 800 25 33 33 e caixa de comentários do blogue -, hoje com Fernando Alvim (para variar) e a mesma Marta Macara de todos os dias.

Amanhã, Alexandra Macedo falar-nos-á de «Manequins, Agências & Companhia"».

segunda-feira, abril 09, 2007

A Lida de Marco Horácio



Marco Horácio nasceu numa obscura cidade alemã, em 1974, mas cedo regressou à claridade, à civilização: a uma Vieira de Leiria que nesses anos fervilhava de agitação intelectual nos cafés, tertúlias noite adentro discutindo Kant, Schopenhauer, Marx, a revolução e a fritura das enguias.

Frequentou o Curso de Teatro na Escola Superior de Teatro e Cinema. Em 1995, estreou-se na peça Não Há Nada Que Se Coma, no teatro A Barraca. A partir daí, foi um ver-se-te-avias de participações em mais peças, em filmes (O Meu Sósia e Eu, O Lampião da Estrela, Filme da Treta), em programas de televisão (Levanta-te e ri, Câmara Café, TV Bloopers, Manobras de Diversão), na criação de personagens, das quais destaco o seu alter-ego Rouxinol Faduncho, fadista ex-emigrante, disco d'oiro e esgotador de salas de concertos por este Portugal a eito (dizem até as más línguas que ele negociou com o diabo, que lhe queria ficar com a alma em troca de talento, mas Marco Horácio terá achado caro, propondo antes um rim, uma calvície precoce ou o pescoço; o diabo aceitou ficar com o pescoço).

Despachada a piadinha do pescoço, falta só acrescentar a este currículo o item que traz hoje Marco Horácio à Prova Oral, o seu livro Como tourear os espanhóis e sair em ombros, que a Esfera dos Livros acabou de editar. Diz a sinopse:

«Marco Horácio traça-lhe um retrato fiel do nosso inimigo espanhol e deixa-lhe conselhos que lhe podem salvar a vida! Tempos houve em que nós, os portugueses, éramos muito melhores que eles, os espanhóis. Ganhávamos grandes batalhas, jogos de hóquei em patins e 1 escudo valia 2 pesetas. Hoje amigos, a realidade é outra. Eles compram as nossas empresas, vêm cá passar férias, têm ordenados mais altos, são mais alegres que nós, dormem a sesta e insistem em não perceber o nosso português! Ora a estratégia de Marco Horácio é simples: SE NÃO CONSEGUE VENCÊ-LOS, GOZE COM ELES. E companheiros lusitanos, aprendam que os espanhóis são falsos amigos, basta ouvir a Língua deles e perceber que nasceram para nos enganar! Nunca, jamais, em tempo algum, diga palavras como embaraçar ou polvo…»

Aproveitemos então o tempo de antena para o exercício da milenar prática de dizer cobras e lagartos do vizinho (até porque estará também em estúdio uma representante do lado de lá da península, de nome Duli): estão todos convidados para, via 800 25 33 33 ou caixa de comentários do blogue, desdenhar os espanhóis, discorrer sobre as inúmeras coisas em que somos melhores que eles, como por exemplo na condução em contra-mão, na burocracia crónica, no desenrascanço e por aí adiante - sejam imaginativos, que isto de rir de nós próprios faz bem às rugas da alma e dói menos que tentar alisá-las com um ferro aquecido, vulgo de engomar. A partir das 19, com Fernando Alvim e Cátia Simão.

Amanhã, Rui Reininho virá falar, entre outras coisas, do seu livro «Líricas Come On & Anas».