quinta-feira, maio 17, 2007

Mais coisa menos coisa



A pontualidade é bem mais que uma questão de delicadeza - no limite, pode implicar profundas alterações sociais. Que o digam os nossos convidados, Eurico Nobre e Clive Bennett, da AESE e da Ad Capita , que fizeram um estudo sobre ela - ou melhor, sobre a falta dela - e sobre os seus impactos na economia.

A título de exemplo, imaginem um funcionário de determinada empresa a quem, como penalização por chegar constantemente atrasado, é retirada a mousse de chocolate do menu do almoço da cantina, quando ele, em situação normal, podia escolher entre ela e a salada de frutas - obrigando-o, assim, a ficar sempre com a salada de frutas.

Ora, ao fim de uma semana, qualquer pessoa enjoa tanto ananás de lata, maçã, banana e vá lá que um morango, cortado em irritantes bocadinhos. Vai daí, o funcionário torna-se insatisfeito e começa a boicotar os produtos que lhe passam pelas mãos, provocando, a médio prazo, chuvas de reclamações dos clientes que, consequentemente, resultarão na perda de credibilidade da empresa no meio - o que a leva a prejuízos imensos e a despedimentos colectivos, lançando pessoas no desemprego que, desesperadas, se juntam a incendiar citroens, renaults e peugeots.

Será o problema da pontualidade um exclusivo nacional, ou toca a todos os países? Será a pontualidade britânica um facto ou um mito? E vocês?, como se dão com o vosso amigo de duas patas (refiro-me ao relógio)? Será a pontualidade também uma questão de educação?, quer dizer, quem chega por hábito atrasado aos encontros lúdicos e lúbricos, também tende a atrasar-se no emprego? Ou é perfeitamente possível, nos últimos dez anos, um indivíduo ter assistido invariavelmente só às segundas partes dos filmes que se propõe ir ver ao cinema («hoje é um muito bom, hoje vou chegar a horas, juro»), e ser uma jóia de moço no emprego, sempre ali certinho que nem o trânsito intestinal da secretária que se encharca de bífidos activos todas as manhãs? Hum?

O telefone é o 800 25 33 33 e há também a caixa de comentários do blogue. Pronto. A partir das 19, com Fernando Alvim e Xana Alves. Eu disse 19 e não 19:05. Vamos lá ver se a gente não tem que se zangar.

quarta-feira, maio 16, 2007

Passatempo Creamfield Cartão Jovem Movijovem

A equipa da Prova Oral já escolheu os 2 comentários que serão premiados com outros tantos bilhetes para Festival Creamfield - com o patrocínio do Cartão Jovem Movijovem . São eles:

1) O moço que assina como famel, não só pela citação curiosíssima que partilhou connosco, «Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para satisfação dos habitantes», mas também por ter trazido à baila essa figura tão idiossincrática da política portuguesa que é o Presidente da Junta.

2) O caro Morgadão que nos trouxe mais um clássico made in Madeira, a propósito da chuvada que assolou um comício de Alberto João Jardim: «É para todos verem, quem é aqui o manda chuva!»

Pronto. Façam favor de entrar em contacto com a produção para receberem os bilhetes. Os mails estão lá em cima.

Pela boca morre o peixe



O nosso convidado, João Pombeiro é editor da Notícias Sábado, suplemento de Sábado do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias. Nasceu em Évora em Agosto de 1978, mas foi em Lisboa que se licenciou em Comunicação Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Entre 2000 e 2001, foi jornalista na produtora Companhia de Ideias, tendo transitado em 2002 para a revista Grande Reportagem, onde exerceu o cargo de jornalista até ao ano de 2005.

Neste ano da graça de 2007 resolveu editar, sob a chancela da Guerra & Paz, o volume Pela Boca Morre o Peixe , que é uma compilação de ditos dos nossos queridos políticos, uns mais espirituosos, outros mais sonsos, outros ainda reveladores da escandalosa falta de jeito para prever o futuro, proferindo sentenças que a realidade, a seu tempo, veio contradizer - como por exemplo este, do nosso Primeiro, José Sócrates, em 2000, quando ainda era ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território:

«Engenheiro José Sócrates, vamos vê-lo, um dia, primeiro-ministro?»
«Não! Primeiro, porque não tenho o talento e as qualidades que um primeiro-ministro deve ter. Segundo, porque ser primeiro-ministro é ter uma vida na dependência mais absoluta de tudo, sem ter tempo para mais nada. É uma vida horrível e que eu não desejo. Ministro é o meu limite.»


ou este, de Marques Mendes, em 1999:

«Tem esperanças de um dia passar a ser o número um [do PSD]?»
«Não! Nem pensar! Essa perspectiva está completamente fora do meu horizonte.»
«Por que o diz de forma tão determinada?»
«Porque não tenho qualquer tipo de dúvidas. Tenho noção das minhas qualidades e das minhas limitações.»


ou este, de Pinto Balsemão, em 1980, quando era adjunto do Primeiro Ministro:

«Penso que Mugabe é uma pessoa com os pés assentes na terra, senhor de um grande pragmatismo.»


Tinha razão, não tinha? Agora um exemplo da arte inimitável que o nosso ex-presidente da república, Jorge Sampaio, tem de falar de modo a que ninguém o entenda:

«Não é justo nem razoável que persistam enviesamentos masculinocêntricos tão acentuados nas questões políticas agendáveis.»


Bonito, não é? Segue-se uma tirada espirituosa de Santana Lopes:

«Não sou Maria-vai-com-as-outras, mas gosto imenso que elas venham comigo.»


Avelino Ferreira Torres, inconfundível, corria o ano de 2003:

«Quem pensa que há promiscuidade entre a política e o futebol é um estúpido.»


O famoso pragmatismo de Mário Soares, em 1999:

«É preciso continuar a sacar dinheiro da Europa.»


Ora nem mais. A religiosidade fervorosa de Paulo Portas, em 2003:

«Sei que o senhor não é crente, mas tenho as provas irrefutáveis, racionais, positivistas de que Nossa Senhora existe. Que é portuguesa. E que é de Fátima.»


seguido do apocalíptico Alberto João Jardim, em 2001:

«Eu sou o princípio e o fim. A vida. Tal como nos Evangelhos.»


Por fim, para verem bem do que nos livrámos, o visionário Otelo Saraiva de Carvalho:

«Tenho falta de estrutura política, se tivesse essa cultura, que não tenho, poderia ter sido um Fidel Castro da Europa.»


À disposição, o 800 25 33 33 e a caixa de comentários do blogue, para que nos dêem exemplos como estes, provas irrefutáveis de que, de facto, pela boca morre o peixe e que às vezes estar calado é um acto supremo de sabedoria: podem ser ditos do presidente da junta aí do sítio, de figuras públicas com quem tenham tropeçado nas entrevistas dos jornais e até sentenças familiares - coisas que os vossos avós diziam e que tinham graça ou que raiavam o surrealismo.

A partir das 19, com Fernando Alvim e Rita Amado.

terça-feira, maio 15, 2007

Libertem o Tema



Hoje é dia de Tema Livre e, como já é tradição nos dias assim de Prova Oral, vamos todos dar à taramela como se não houvesse amanhã. E temos a actualidade toda à mercê: folheiem os jornais, visitem os sites informativos e escolham os temas que mais vos preocupam ou emocionam, dos mais sérios – como é o caso do desaparecimento da pequena Maddie, do circo mediático à volta, do trabalho das polícias envolvidas, as vossas expectativas sobre um final ainda feliz para a tragédia que é sempre o desaparecimento de uma criança –; a outros menos sérios, como o campeonato da primeira liga, que chega à última jornada com três hipóteses de vencedor.

Podem também falar do último filme que foram ver, da última viagem que fizeram, das viagens que gostariam de fazer, agora que se aproxima o período de férias de muita gente, das obras municipais, das eleições para a câmara de Lisboa, da vitória esmagadora de Alberto João Jardim, do reumatismo, da sinusite, do aquecimento global e consequentes ondas de calor previstas – e o mais que vos aflorar o pensamento.

Cá estará o 800 25 33 33 e a caixa de comentários do blogue à vossa espera. A partir das 19, com Fernando Alvim.

segunda-feira, maio 14, 2007

mapmyname



João Ribeiro e Sérgio Veiga são dois estudantes da Universidade de Aveiro, do curso de Engenharia de Computadores e Telemática – que cismaram em querer saber quantos cibernautas somos e de onde acedemos à internet. Para isso criaram o mapmyname , em que convidam cada cibernauta a dar conta de si.

Vão estar hoje connosco na Prova Oral e com eles vamos falar deste projecto específico, do que esteve na sua origem, das ferramentas e apoios que tiveram, da adesão dos cibernautas - e sobretudo da importância dos dados que tentam recolher.

De vocês aí em casa, gostaríamos de saber como a internet se instalou no vosso quotidiano, que uso fazem dela e de que forma modificou os vossos hábitos de convivência social. Podem igualmente, claro, fazer perguntas aos nossos convidados. À disposição, o 800 25 33 33 e a caixa de comentários do blogue. A partir das 19, com Fernando Alvim.