segunda-feira, abril 23, 2007

Dia Mundial do Livro


Excerto de um documentário sobre García Márquez. Está em castelhano, mas com jeitinho percebe-se o que dizem. Se procurarem, no youtube há mais excertos. Vale a pena.

Hoje é o Dia Mundial do Livro. Entre muitas iniciativas por esse país fora, a Casa Fernando Pessoa, por exemplo, está a organizar uns mega-saldos de livros a partir de 1 euro e descontos que podem ir até aos 80% (em tempo de crise, sabe muito bem); também em Lisboa, a Rua Augusta, durante este período e até ao fim de Maio, vai mudar de nome e passar a chamar-se «Rua do Livro». E a Prova Oral, querendo meter-se - e muito bem - ao barulho, convidou para a emissão de hoje uma escritora de mão cheia, Luísa Costa Gomes, autora de, entre outros livros, «A Pirata» (editorial Dom Quixote, 2006) e «Educação para a tristeza» (Presença, 1999).

Vamos, então, falar de livros. Primeiro, e aproveitando a presença da nossa convidada, vamos saber como escreve, que vícios, hábitos, rotinas lhe acompanham a escrita, de como as histórias vêm ter consigo e como se desenvolvem no papel (ou no monitor do computador). E do ponto de vista de todos nós e vocês que nos ouvem, leitores, queremos que nos digam dos livros que mais vos marcaram, que nos transcrevam inclusive, na caixa de comentários do blogue - ou recitem pelo 800 25 33 33 -, parágrafos ou meras frases lidas que vos não largaram mais a memória; falem-nos de personagens por quem desenvolveram alguma paixão ou mesmo desamor visceral; dos sítios onde preferem ler; das livrarias mais charmosas onde entraram, cá ou lá fora, durante alguma viagem; dos títulos mais estapafúrdios com que se depararam (tomem como exemplo estes, que Pedro Mexia postou no seu blogue; o meu preferido dessa lista é o «How to Shit in the Woods, an Environmentally Sound Approach to a Lost Art»). E já agora, façam de repórteres da Antena 3 e dêem-nos conta de iniciativas que estejam a decorrer para os vossos lados, a propósito do Dia Mundial do Livro.

A partir das 19, com Fernando Alvim e Rita Amado. E em jeito de delicado fade out desta estrada de blogue, deixo-vos «Um adeus português», de Alexandre O'Neill, um dos mais belos - dizem as boas línguas - poemas de amor escrito em português.


UM ADEUS PORTUGUÊS

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz de ombros puros e a sombra
de uma angústia já purificada

Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta cama comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Não tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

*

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.


(Alexandre O'Neill, Poesias Completas, Assírio & Alvim, 2005)

sexta-feira, abril 20, 2007

Inovar.te



A Inovar.te é a primeira revista sobre inovação lançada em Portugal. É detida pela Incentor, uma start-up de Aveiro, e o seu primeiro número foi para as bancas em Outubro de 2006. A ideia surgiu no seio do innov8, um clube de inovação criado no final de 2004 por oito alunos do Mestrado em Gestão da Inovação e do Conhecimento do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da Universidade de Aveiro, e o objectivo é envolver universitários, especialistas, empresários e sociedade civil numa dinâmica de disseminação da inovação como princípio orientador das organizações.

Lemos no site: «Arrumar as peúgas sempre da mesma forma e na mesma gaveta, mexer a sopa sempre para o mesmo lado, adormecer à sombra dos louros ou gozar confortavelmente o status adquirido são condutas legítimas, humanas e algumas, pela sua tendência para a estabilidade, conduzem mesmo ao sucesso. Mas terá de ser só assim? Risco, incerteza, fracasso, tentativa-e-erro, ou enveredar pelo desconhecido, não serão pressupostos igualmente válidos? É com a convicção de que não existem receitas mas sim diversas combinações, que se assume a Inovar.te, a Primeira Revista de Inovação, desenvolvida por aqueles que investigam, trabalham e decidem no mundo da inovação e por todos aqueles que são intrinsecamente inovadores. Dirigida para todos.»

Em estúdio vamos ter Vasco Sousa (Revista Inovar.te) e André Sousa (Canal Up) para nos contarem, então, como reagem os portugueses à palavra inovação; se ainda desatam a coçar-se desenfreadamente ao ouvi-la, a acusar alergias várias, a disparar sequências intermináveis de espirros e vade retros, a requisitar mezinhas aos videntes - ou se, pelo contrário, as mentalidades realmente mudaram e as décadas de governação do Grande Português, com todo o seu culto de cinzentismo, da não mudança, do emprego para a vida toda, do desejo imenso por um quotidiano imutável e certinho, ficaram definitivamente para trás. O que é que já foi feito, e o que é que falta fazer? - e o que podem iniciativas como a Inovar.te fazer por todos nós.

Digam-nos também vocês aí em casa do valor que dão à inovação nas vossas respectivas áreas, como lidam com o ambiente profissional de mudança constante a que estão sujeitos - se inovam com prazer, ou ainda vos bate aquela nostalgia da paz dos antigamentes. O que não muda é o número de telefone, 800 25 33 33. Já o Fernando Alvim e a Marisa Jamaica, são novos todos os dias - mas só a partir das 19.

quinta-feira, abril 19, 2007

Assistência informática ao domicílio


O Capitão Kirk, anunciando o VIC 20

Embora infodependentes, a maioria de nós não tem um conhecimento sequer razoável, para lá da estrita óptica do utilizador, sobre o que se passa dentro do nosso pequeno e electrónico amigo; desenrascamo-nos, sim, instalamos os programitas da praxe, de facto, mas basta algum conflito interior mais picuinhas - e os computadores estão cheios de conflitos interiores picuinhas, depressões ou euforias súbitas (temperamento binário é no que dá) - e lá andamos à rasca à procura de algum amigo que tenha um primo que seja amigo do irmão do namorada do rapaz que percebe de informática; caso contrário teremos que levar o computador à proveniência e ficar um mês à espera que regresse, o que em certos casos pode ser - como dizia Artur Albarran - o drama, o horror.

O ideal era alguém que nos viesse a casa tratar do assunto, sem o ar enjoado dos burocratas deslocados e sem cobrar os olhos da cara pela visita (até porque os olhos da cara dão imenso jeito para ver o caminho e não chocar contra os postes); ou seja, o ideal era uma certa banalização do serviço de assistência ao domicílio. E se isso já acontece em grande parte do mundo dito civilizado, só agora começa a dar os primeiros passos em Portugal.

O programa de hoje vai, pois, ser dedicado a essa nobre profissão dos bombeiros informáticos. Vamos ter em estúdio três entendidos da área - André Dias, João Costa e Luís Martins -, que nos vão contar as histórias mirabolantes com que se deparam na sua lida diária de combatentes de fogachos virtuais; e vocês aí em casa também nos podem contar coisas absurdas que vos tenham acontecido com o computador, alguma aldrabice na reparação, alguma janela de aviso surrealista - tipo «paragem catastrófica» ou «o computador não reconhece o teclado, por favor digite qualquer tecla para prosseguir» - e por fim, e muito importante, podem colocar questões técnicas, dúvidas, que os nossos convidados estarão aqui também para demonstrar a sua eficácia (e hoje é à borla).

A partir das 19, com Fernando Alvim e Marisa Jamaica.

Amanhã iremos Inovar.te

quarta-feira, abril 18, 2007

A Noite dos PUBLIdevoradores



A Noite dos PUBLIdevoradores acontecerá nos próximos dias 20 e 21 de Abril no Grande Auditório do ISCTE. Muito bem; mas que raio é A Noite dos PUBLIdevoradores ?

É um espectáculo, já com vinte e seis anos de história em todo o mundo, onde que são exibidos mais de 500 filmes publicitários, provenientes de cerca de 47 países, incluindo Portugal, com o objectivo de homenagear a criatividade publicitária. As exibições serão feitas num ambiente de festa (até porque a coisa dura mais de cinco horas), com alguma da animação a cargo de DJ's convidados.

Vamos hoje falar deste evento - com a presença de dois responsáveis pelo evento, Ana Amaral e o Prof. Pedro Dionísio -, mas também de publicidade, de uma maneira geral. Falem-nos, contem-nos, por exemplo, do anúncio que mais vos marcou a infância, do que mais vos arrepiou, ou causou impacto ao ponto de não o conseguirem ver até ao fim; do pior anúncio que já vira, do mais cómico, do mais ridículo, do mais triste... enfim. Falem-nos do lugar da publicidade na vossa vida. A caixa de comentários estás generosamente aberta e o telefone é o 800 25 33 33 - a partir das 19, com Fernando Alvim e Cátia Simão.

Amanhã, levaremos o técnico aí a casa para tratar da saudinha ao vosso computador.

terça-feira, abril 17, 2007

Porque é que as mulheres gostam dos homens?



A nossa convidada de hoje é Helena Sacadura Cabral, é Economista de formação, já foi professora universitária nessa área, é também cronista na imprensa e na rádio. E ainda escreve livros. E é sobre o último livro que escreveu que vamos falar hoje: chama-se «Porque é que as mulheres gostam dos homens» e é editado pela Guerra e Paz. A nota de imprensa explica-nos porque vale a pena ler este livro:

«Porque ainda hoje são misteriosos os caminhos que levam uma determinada mulher a interessar-se por um determinado homem. Será apenas uma questão física, ou serão os comportamentos e a comunhão de gostos e interesses que comandam esse mútuo impulso?Com a sua experiência de vida e sensibilidade, a autora aponta rotas possíveis para a insondável fórmula da atracção e do amor, numa tentativa de perceber aquilo que as mulheres, especialmente as portuguesas, gostam nos homens. Não esquecendo, aliás, o levantamento sociológico, que a leva a interrogar-se sobre se haverá, de facto, um "novo homem" português, ou sobre se continuará a existir o eterno sonho feminino de uma viagem feita a dois. Um livro que vale a pena ler, porque fala de nós, de todos nós, homens e mulheres.»

E vocês aí em casa, como é? quais os misteriosos caminhos que vos levam a interessar por alguém, homem ou mulher? É uma só pergunta que dá pano para mangas: o 800 25 33 33 3 a caixa de comentários do blogue esperam as vossas considerações sobre o assunto. A partir das 19, com o Fernando Alvim e a Rita Amado.

Amanhã é dia de publidevorar.