sexta-feira, março 23, 2007

A Prova Oral vai à consulta de gastrenterologia



Ora mais fixas, ora mais secas, mais hirtas, acervejadas ou musculosas, com umbigos proeminentes, com umbigos discretos: é das nossas queridas barriguinhas que estou a falar (e de tudo o que têm dentro, incluindo esvoaçantes borboletas em tempos de paixão e potenciais pretextos para faltar a exames ou reuniões de trabalho complicadas). E delas, sobretudo do seu lado mais prosaico e funcional, falará hoje connosco, e bastante a sério, o Dr. Carlos Nobre Leitão, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Nova de Lisboa, director do Serviço de Gastrenterologia do Instituto Português de Oncologia de Lisboa e Presidente da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva.

Sabiam que cerca de um terço dos portugueses sofre de doenças do aparelho digestivo?; e que a maioria dessas doenças são evitáveis através da prevenção adequada? Pois é. Vamos então saber, pelo Dr. Carlos Nobre Leitão, das pequenas boas práticas que podem prevenir-nos problemas maiores sem termos que fazer vida de monges; sobre os erros mais comuns dos nossos hábitos alimentares; aproveitar para decompor alguns daqueles mitos com que os nossos avós nos enchiam os ouvidos acerca das coisas que fazem bem ou fazem mal; enunciar sintomas que devam levar-nos a consultar um médico - e por aí adiante.

Contamos convosco na nossa marquesa, para um exame de teleapalpação (vá, coragem, a sonda está de folga): queixem-se via 800 25 33 33, lamentem-se na caixa de comentários do blogue - digam-nos onde vos dói, a partir das 19, com Fernando Alvim e Rita Amado.

quinta-feira, março 22, 2007

Pedalando com Piet Hein pelo nosso delicado país.



Excerto de um dos clássicos do cinema italiano preferido de muito boa gente, «O ladrão de bicicletas», filme do final dos anos quarenta, de Vittorio de Sica.


O senhor que se segue na Prova Oral é Piet Hein, mais conhecido entre nós como director de uma produtora de televisão, mas que acabou de editar um livro chamado «Ladrão de Bicicletas: a Vida e o Olhar de um Holandês em Portugal», com a chancela da Caderno. Diz-nos assim a nota de imprensa:

«As revelações do homem que transformou a televisão em Portugal: de ladrão de bicicletas a director-geral da produtora Endemol em Portugal, a vida de Piet Hein é recheada de aventuras e desventuras, algumas conhecidas, outras nem tanto. Considerando-se já um verdadeiro português, Piet Hein relata-nos num tom intimista o que lhe passou pela cabeça quando cá chegou, o que mais estranhou e o que mais o seduziu. O que pensa das mulheres, dos hábitos dos portugueses e da sua maneira de ser, das comparações com o seu próprio país, do seu percurso até à plena integração e da forma como já sente este país como sendo também o seu.»

Pois é, isto hoje vai dar pano para mangas: a melhor maneira de olharmos para nós próprios é, muitas vezes, através do olhar dos outros, ainda mais sendo nós um povo de tantas idiossincrasias. Como nos «digeriu» a sensibilidade de um holandês nos primeiros tempos?; que diferenças, entre nós e os holandeses, mais o irritaram e seduziram?; e na sua opinião, desde que cá chegou até aos dias de hoje - e passaram já uns aninhos -, que mudanças, evoluções e involuções, mais nos sentiu?; e já agora, qual foi o destino da minha querida pasteleira que inocentemente costumava guardar no hall de entrada do condomínio?, hum? E vamos falar também de televisão, actividade a que Piet Hein está intimamente ligado: do futuro que lhe augura, dos projectos que gostava de concretizar e ainda não teve oportunidade e por aí adiante.

800 25 33 33 e caixa de comentários aqui do blogue à disposição, a partir das 19, com Fernando Alvim e Rita Amado, neste segundo dia de primavera, de vento gélido a varrer as ruas - os senhores da meteorologia garantem que, pelo menos até sexta-feira, vai ser assim. Forretas.

quarta-feira, março 21, 2007

Tema livre para o primeiríssimo dia de Primavera.


A propósito do Dia Mundial da Poesia, um poema: a belíssima actriz Camila Morgado recitando «Os Acrobatas», de Vinicius de Moraes.

Tema livre hoje, que nós bem o tentámos prender, mas está uma ventania do caraças. Por isso, já sabem, gargantas levemente aguadas, dedinhos tecladeiros a postos e aí vamos para mais uma vertiginosa sessão de blá blá blá.

E porque é o primeiro dia de Primavera e Dia Mundial da Poesia, vamos sacudir as cinzentices do capote e falar de coisas boas: a última vitória do clube do vosso coração (e a última derrota do clube do vosso fígado, vá), o último livro que leram, o último filme ou peça de teatro a que assistiram e gostaram, os vossos pequenos prazeres quotidianos, a mesa de esplanada preferida para o jornal e o café, os vossos itinerários de lazer, as jantaradas com os amigos, a vizinha ou o vizinho do prédio da frente a que acham pinta, os cromos aí do sítio onde moram, etc.: puxem pela imaginação, que aqui estará à vossa espera o nosso 800 25 33 33 mais a caixa de comentários deste blogue, a partir das 19, com os primaveris - à volta de quem cirandam poéticas abelhinhas - Fernando Alvim e Xana Alves.

terça-feira, março 20, 2007

Rir sentado na Prova Oral, com Francisco Menezes



Francisco Menezes nasceu no Porto, a 8 de Outubro de 1973. Viveu em Lisboa até aos sete anos, regressou ao Porto - e outra vez a Lisboa, há relativamente pouco tempo, onde vive agora. Sobre ele, lemos no sítio da UAU, a sua produtora:

«Francisco Menezes ficou conhecido pelas suas várias presenças no "Levanta-te e Ri" (SIC), mas começou a sua carreira na ex-Ntv (agora RTPN) com dois programas de humor, de autoria e interpretação sua, o "N cromos" e "O desterrado", tendo depois passado pela RTP com outro programa seu, "Portugal FM". Antes disso fez rádio, cantou em casinos, e até trabalhou na secção de congelados do Continente.

É o artista quase total. Tem uma grande voz, é engraçado como o caraças e o seu texto é muito bom. Só lhe falta depilar as pernas.»

É, portanto, um humorista de pernas peludas que vamos ter em estúdio; e com quem falaremos não só do futuro da depilação a laser, mas também dos caminhos que o humor em Portugal pode tomar, sobretudo na forma de stand up comedy, da qual Francisco Menezes é exímio praticante - isto, depois do boom de há uns anos e do fim recente do mítico (para o bem e para o mal) «Levanta-te e Ri».

A importância da televisão na carreira de um humorista e o reverso da medalha: a sobreexposição que pode levar os públicos ao cansaço; o dia-a-dia de um humorista: as rotinas de trabalho e a fonte inspiração: os jornais?, as televisões?, os cromos conhecidos?, os cidadãos anónimos? - tudo isto inspira?; e já agora: terá Francisco Menezes assuntos tabu sobre os quais não goste de fazer humor? - ou tudo é matéria humorizável (a palavra não existe, eu sei, mas agora deu-me jeito). Falaremos também de influências, dos melhores, segundo a opinião do nosso convidado, humoristas da praça, conselhos aos candidatos à prática do stand up - e de tudo o que vocês se lembrarem de perguntar, via 800 25 33 33 ou caixa de comentários do blogue; logo à tardinha, ao lusco-fusco, com Fernando Alvim e Ela.

segunda-feira, março 19, 2007

Valdemar Cruz, Fernando Catarino e uma vida de ensinamentos


Leonard Bernstein que, além de grande maestro, foi um grande pedagogo

Que a vida nos dá lições é uma verdade que, parece-me, ninguém contesta; mas uma verdade tão dita e redita, por tudo e por nada e tão circunstancialmente, que às vezes parece inócua. Mas não é: a vida, de facto, é uma escola e pêras (muitas pêras, a pereira toda, um pomar inteiro de pereiras e por aí adiante ou nunca mais saímos daqui).

Valdemar Cruz, o nosso convidado de hoje, resolveu pôr em livro algumas dessas lições, contadas por alguns instruendos ilustres. O livro chama-se O que a vida me ensinou e é acabadinho de sair pela Temas & Debates.

São «34 depoimentos recolhidos por Valdemar Cruz originalmente publicados no semanário Expresso em dois momentos distintos: Capa da Revista a 9 de Novembro de 2002 e, semanalmente, na Única, entre Janeiro e Agosto de 2005. Os entrevistados são nomes relevantes da sociedade e cultura portuguesas que se distinguiram pelo mérito do trabalho desempenhado em áreas distintas do conhecimento. Lutando contra «a sacralização do efémero e de um quase obsceno culto da juventude pela juventude», Valdemar Cruz estabeleceu como único critério o de reunir apenas convidados com mais de setenta anos. O resultado de anos de audição, transcrição e reconstrução de experiências de vida intensas é uma recolha de testemunhos poderosos, pessoais e únicos, que são, acima de tudo, preciosas lições de vida.

Adriano Moreira, Agustina Bessa-Luís, Álvaro Siza Vieira, Anthimio de Azevedo, António Ramos Rosa, Argentina Santos, Borges Coelho, Eduardo Lourenço, Eunice Muñoz, Fernando Catarino, Fernando Lanhas, Fernando Távora, Galopim de Carvalho, Glicínia Quartin, Helena Rocha Pereira, Helena Sá e Costa, José Manuel de Mello, José Pinto da Costa, José Saramago, Júlio Pomar, Júlio Resende, Luísa Dacosta, Manoel de Oliveira, Manuel Martins, Margarida Tengarrinha, Maria de Lourdes Levy, Maria Keil do Amaral, Moniz Pereira, Nella Maissa, Nuno Grande, Óscar Lopes, Ruy de Carvalho, Sequeira Costa e Vítor Crespo são os ilustres que relatam no livro de Valdemar Cruz as suas experiências de vida.»

O outro convidado é o biólogo Fernando Catarino, professor e notável director do Jardim Botânico da Faculdade de Ciências de Lisboa durante vinte anos, autor de um dos depoimentos do livro - como podem confirmar na lista -; e a conversa vai ser, pois, à volta do que as vivências nos podem ensinar e da nossa atenção a esses ensinamentos: num mundo cada vez mais veloz, mais voraz, mais ruidoso, mais efémero, mais consumista, teremos nós ainda espaço mental para ouvir o que a vida, pacientemente do seu púlpito professoral, nos diz? Hum? E a maneira como hoje em dia se tratam as pessoas mais velhas e portanto, mais ricas de experiências, mais avisadas, não é também um atestado de alheamento das gerações sangue-na-guelra à reflexão, à ponderação ou, por outras palavras, ao desejo de aprender?, hum?; estaremos todos - ou a maioria de nós - mais presunçosos e mais convencidos de que sabemos tudo, ao ponto de dispensarmos com leviandade aqueles que nos podem ensinar? Como é?

Digam de vossa justiça, caros pupilos da vida, via 800 25 33 33 ou caixa de comentários deste blogue, a partir das 19, com Fernando Alvim & Co.