quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Hoje é dia de tema livre: vamos todos dar à taramela



A liberdade é uma coisa muito bonita, não é? Pois então: tema livre hoje na Prova Oral. Agúem as gargantas (com líquido à temperatura ambiente), gargarejem para depois não pigarrearem durante o discurso, procurem o tom, experimentem inflexões, interjeições e estigas (estiga é assim mais ou menos uma espécie de trocadilho com vista a picar o interlocutor; por exemplo, duas estigas batidíssimas que agora me ocorrem: durante um telefonema para o talho eu pergunto «tem mãozinha de vaca?», o talhante diz que «não», e eu «então como é que está a segurar o telefone?»; ou para a padaria: «ainda têm pão de ontem?», «temos sim», «é bem feito, não o vendeu», estão a perceber o esquema? O sociólogo e escritor angolano Ondjaki está a tirar um doutoramento sobre estigas... olhem, aproveitem o tema livre e digam para aqui uma estigas - «ó Alvim, tens uns dentes muito bonitos» e o Alvim todo guloso «ai tenho?», «sim, tanto um como o outro» - vêem, é fácil?, mas estas são velhas, inventem umas); ou então não estiguem, falem dos Óscares, dos sacos azuis (e já agora dos amarelos e dos verdes da reciclagem), do reumatismo, do campeonato de badmington que está ao rubro, do que fariam se ganhassem o euromilhões, do vosso balanço sobre estes anos de Prova Oral, sobre a Antena 3, ou sobre o vosso locutor ou locutora preferido: se assim a julgar pela voz, por exemplo, juram a pés juntos que a Xana Alves tem olhos castanho-claros e madeixas de cabelo encaracolado descendo em cascatas festivas pela fraga do seu rosto - oh! -, e que a Marisa Jamaica usa rastas.

Pronto. Portanto: tema livre na Prova Oral e toda a gente a dar à taramela, via 800 25 33 33 ou caixa de comentários desta entrada do blog, a partir das 19, com Fernando Alvim e Marisa Jamaica.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

As pequenas ditaduras, segundo Javier Urra



Javier Urra é psicólogo clínico, pedagogo terapeuta, e trabalhou durante três anos com jovens conflituosos no Centro Nacional de Reeducação de Cuenca. É professor de Psicologia na Universidade Complutense de Madrid e vice-presidente da Associação Ibero-Americana de Psicologia Jurídica e assessor e patrono da UNICEF. Entre 1996 e 2001 foi o primeiro Provedor de Menores em Espanha e o primeiro presidente da Rede Europeia de Provedores de Menores. Dele, acabou de ser editado entre nós, pela Esfera dos Livros, «O Pequeno Ditador». Uma sinopse:

«São várias as histórias que nos falam de violência na escola, vemos notícias de professores que não conseguem controlar alunos indisciplinados, de crianças que humilham e maltratam os seus colegas. Mas há uma nova realidade, invisível, fechada entre quatro paredes que é fundamental enfrentar: os pais são vítimas da violência dos filhos dentro das suas próprias casas.

Actualmente existem casos de filhos que batem nos pais. Crianças mimadas, sem limites, a quem tudo se consente, que organizam a vida familiar, dão ordens aos pais, chantageiam quem as tenta controlar. Crianças que se tornam jovens agressivos, que enganam, ridicularizam os maiores, que não hesitam em roubar a carteira da mãe. Adolescentes que desenvolvem condutas violentas e marginais. Em suma, filhos que impõem a sua própria lei.»

Não é preciso recuar muito no tempo: aqueles cuja infância andou pelos anos setenta, princípios de oitenta, sabem, por exemplo, que por muito que não fossemos à bola com determinado professor, certo tipo de atitudes afrontosas eram-nos impensáveis, porque um professor era um professor, um mais-velho era um mais-velho. Mas isto era assim mesmo, ou é a memória a pregar partidas?; por outras palavras: a relação dos jovens com os adultos tem vindo realmente a tornar-se mais conflituosa? - e os jovens, de uma maneira geral, hoje, são mais agressivos e mais violentos para com os adultos do que eram as gerações anteriores?; e se sim, é por isso que hoje se queixam mais os professores do ensino secundário de problemas relacionados com o stress?, ou apenas porque, ao contrário de há uns anos atrás, esses problemas passaram a ser «catalogados» e tidos em conta?; e esta nova geração de pais, com maior acesso a informação, é mais hábil e inteligente a lidar com os filhos ou, pelo contrário, mais facilitista e ausente, deixando muitas vezes, a televisão e a consola de jogos fazer o seu papel?

Via aberta para a discussão: o 800 25 33 33 e a caixa de comentários desta entrada de blog - a partir das 19, com os bate-na-avó Fernando Alvim e Marisa Jamaica.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

BOCA: leitura para os ouvidos


Mário Viegas diz Mário Cesariny

Hoje vamos falar de livros de ouvir - audiolivros - e da empresa que por cá os começou a escrever a tinta de voz: a BOCA. Ouçamo-la:

«O livro era o prazer há muito tempo, escrito, lido, dito, amplificado. Decidimos, por fim, dar-lhe voz e criar uma editora de audiolivros, como há noutras línguas mas ainda não se fez em Portugal, de raiz. Chamámos-lhe BOCA.. Procuraremos criar nesta casa lusófona objectos sonoros vindos de todas a geografias literárias e devolver as histórias contadas a todos os que podem ouvir (e são muitos os que só ouvindo podem ler), aqui, no nosso site, mas também em CD’s, DVD’s, na rádio e na cassete pirata.»

Qual será o mercado esperado para este tipo de produto, para além daqueles que «só ouvindo podem ler»?; e vocês, já se imaginaram no regresso a casa - fora do horário da Prova Oral, evidentemente, ou a gente zanga-se -, a ouvir um livro no leitor de cd’s do carro?; ou no leitor portátil de mp3 durante a viagem de metro? ou de autocarro?, ou de patins?, ou de geringonça voadora?, ou de barril rio abaixo? (e, já agora, contem-nos a voz que adorariam ter-vos assim ao ouvido a ler um livro, e que livro seria esse).

Todos os dias, a partir da 19, aos vossos ouvidos, as bocas de Fernando Alvim e Marisa Jamaica.


sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Nos 20 anos da morte de Zeca Afonso


Zeca Afonso deixou-nos há vinte anos. Nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro; morreu a 23 de Fevereiro de 1987. Pelo meio, uma vida vivida (acontece muito a algumas vidas, serem vividas; a outras não) maioritariamente durante o tempo de uma ditadura bafienta e censora de tudo o que a pudesse arejar (Salazar temia com certeza constipar-se); e por isso e contra isso, a vida de Zeca Afonso foi cheia de canções, poemas e causas.

Vamos falar dele hoje, do seu tempo e da sua obra, com António Macedo, que a conhece profundamente - mas sobretudo vamos aproveitar para falar de nós, o que em nós ficou do seu legado, e especular sobre quem seria Zeca Afonso nos dias hoje.

E queremo-vos a vocês, queridíssimos ouvintes, como testemunhas desse legado - quer lhe tenham sido contemporâneos, quer tenham tido dele ecos mais tardios -, e como colegas de especulação: de serviço, têm o 800 25 33 33 e a caixa de comentários deste post.

A partir das 19, com Fernando Alvim e Marisa Jamaica.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Pedro Lima e a origem do Surf em Portugal



A conversa de hoje adivinha-se deliciosa com um convidado especialíssimo: chama-se Pedro Lima e, em meados da década de sessenta, deu à costa (salvo seja) na Linha do Estoril com uma prancha de Surf debaixo do braço - a primeira prancha de Surf avistada por estes lados.

Além do mais, Pedro Lima é um aventureiro nato, com uma vida cheia de viagens e práticas desportivas estranhas para um país fechado, conservador, tradicionalista, como era o nosso em pleno Estado Novo. Reparem no currículo que recolhemos:

Começou a montar a cavalo aos 6 anos; começou a praticar box aos 11 anos (até aos 19); campeão 2ª Divisão de Hóquei em Patins (Parede) em 1949; jogou Hóquei, Futebol e Rugby universitário; tirou a Carta de Patrão de Vela em 1945; começou a fazer bodysurf em 1945; começou a fazer surf (em pé) em 1960; caça submarina e mergulho em 1949; mergulhou com o team Cousteau; começou a fazer ski de neve em 1949; fez asa delta e voo à vela (planador); começou a fazer windsurf em 1980; fez viagens à vela longa distância/Dr. Bombard...

Se hoje muitas destas actividades são mais ou menos triviais em certos meios - embora, ainda assim, praticá-las todas juntas seja obra -, imaginem nas décadas de cinquenta, sessenta e afins. Como reagiu o Portugal dessa altura a um excêntrico com uma coisa debaixo do braço que parecia uma tábua-de-passar-a-ferro sem as pernas?; como foi aderindo aquela geração ao Surf?; e o Salazar, sabia?

Vamos folhear sonoramente o álbum de fotografias de Pedro Lima e conversar não só sobre Surf - passado e futuro -, mas também sobre uma época onde o cinzentismo esmagava e alienava todos, ou quase todos, e onde qualquer pontinho colorido na paisagem - como uma prancha de Surf, por exemplo -, fazia muita diferença.

Contamos com a vossa curiosidade, os vossos comentários, as vossas memórias e perplexidades, via 800 25 33 33, a partir das 19, com Fernando Alvim e Marisa Jamaica.